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Milionários cubano-americanos em Miami se articulam para uma eventual mudança em Cuba

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Em uma mansão com vista para a baía de Biscayne, em Miami, empresários cubano-americanos reuniram-se para discutir o futuro de Cuba e preparar planos para um possível cenário de mudança política na ilha. O encontro marcou a quarta reunião da recém-criada Câmara Nacional de Comércio Cubano-Americana (Cancc), que tem como objetivo montar propostas para o “dia seguinte” caso o governo cubano caia.

O grupo é formado por famílias ricas e influentes da comunidade cubano-americana da Flórida. Entre os temas debatidos, estão a criação de uma bolsa de valores em Cuba, além de comitês voltados a áreas como infraestrutura energética e segurança alimentar. Segundo Juan Omar Sixto, presidente da Cancc, a intenção é estar pronto para fazer negócios na ilha assim que houver uma mudança de regime.

Sixto afirma que os empresários contam com apoio político nos Estados Unidos, inclusive de contatos próximos ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. Para ele, o momento de agir pode estar mais próximo do que parece. Na avaliação do grupo, a queda do atual governo abriria espaço para investimento privado, ajuda humanitária e reconstrução econômica.

A proposta, porém, é recebida com ceticismo. Analistas ouvidos no material da BBC apontam que esses planos podem estar adiantados demais diante do cenário geopolítico e da própria situação interna cubana. O professor Mike Bustamante, da Universidade de Miami, diz que ainda não há sinais claros de que uma mudança de regime esteja iminente, e avalia que as expectativas criadas em torno de um “dia seguinte” foram adiadas.

Enquanto empresários discutem projetos futuros em Miami, Cuba enfrenta uma crise econômica e social profunda. O texto destaca que a ilha vive apagões nacionais, além de escassez de alimentos, água, combustível e medicamentos. Na mesma semana do encontro, o país registrou o sexto apagão nacional do ano.

A divergência entre a elite exilada e a realidade da população cubana é um dos pontos centrais da reportagem. Para os participantes da reunião, as reformas econômicas anunciadas pelo governo de Miguel Díaz-Canel são superficiais e não oferecem segurança suficiente para investidores. Já críticos veem contradição entre o apoio histórico de parte desses exilados às sanções impostas a Cuba e os planos de reconstrução da ilha.

Outro tema sensível é a disputa por propriedades confiscadas após a Revolução Cubana de 1959. Empresários presentes à reunião defendem compensação ou restituição de terras e fazendas tomadas pelo governo de Fidel Castro. Juan Omar Sixto, por exemplo, afirma que sua família perdeu propriedades no oeste da ilha e que, para ele, a reparação seria uma questão de justiça moral.

Ainda assim, entre os próprios participantes há quem adote tom pragmático. O empresário agrícola Hugo Orizondo afirma que Cuba precisa de capital, tecnologia e investimentos para voltar a produzir em escala suficiente para reduzir a dependência de importações, especialmente na área de alimentos.

No fim, a reportagem mostra um contraste marcante: de um lado, empresários exilados convencidos de que uma mudança em Cuba pode estar próxima; de outro, uma população que continua lidando com os efeitos imediatos da crise, sem sinais de alívio rápido. Para a maioria dos cubanos, segundo o texto, a prioridade ainda é bem mais básica: melhorar o dia a dia.

Fonte: BBC News Brasil, republicado pela Terra.

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