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Pesquisador da Ufac destaca papel dos radioamadores na resposta a desastres e defende fortalecimento da comunicação no Acre

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A experiência do Acre em grandes desastres ambientais ganhou destaque em um debate promovido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que reuniu especialistas em gestão de riscos para discutir a importância dos radioamadores na manutenção da comunicação durante situações de emergência. Representando o estado, o pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac) Foster Brown defendeu a ampliação do uso do rádio e de tecnologias via satélite para garantir respostas rápidas em eventos extremos.

Segundo Foster Brown, a necessidade de fortalecer os sistemas alternativos de comunicação surgiu após os incêndios florestais de 2005, quando cerca de 350 mil hectares de floresta foram atingidos no Acre e no oeste da Amazônia. “Sem comunicação não há ações de resposta. Precisamos utilizar essa ferramenta e outras, como o uso do satélite, para ajudar na comunicação”, afirmou o pesquisador.

Brown também lembrou a grande enchente de 2012 na região de fronteira entre Brasil e Bolívia, quando uma torre de transmissão foi danificada, deixando comunidades isoladas e sem acesso à internet durante cinco dias. Para ele, essas experiências demonstram que a comunicação é um dos primeiros serviços afetados em grandes desastres e precisa fazer parte das estratégias permanentes de preparação das Defesas Civis.

O debate, promovido pela Série “Ciência, Riscos e Desastres”, do Cemaden, reuniu ainda representantes da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, da Cruz Vermelha, do Instituto de Estudos Estratégicos em Defesa Civil e de Defesas Civis municipais.

Durante o encontro, o representante da Defesa Civil de Campina Grande (PB), Ruíter Sansão, afirmou que a interrupção do fornecimento de energia costuma comprometer imediatamente os sistemas convencionais de comunicação, tornando o trabalho voluntário dos radioamadores fundamental nas primeiras horas de resposta aos desastres. Segundo ele, os planos de contingência dos municípios devem incorporar formalmente esses sistemas de comunicação.

Luiz Cláudio Rosa, da Cruz Vermelha de Nova Friburgo (RJ), recordou a tragédia ocorrida na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 2011, quando o colapso das redes de comunicação dificultou o socorro às vítimas. “As informações chegavam atrasadas ou incompletas”, relatou. A experiência levou à criação da Rede Salvar, que reúne radioamadores e instituições públicas para apoiar operações de emergência no estado.

Já Marco Muller, do Instituto de Estudos Estratégicos em Defesa Civil, defendeu que todas as Defesas Civis municipais disponham de equipamentos de rádio e mantenham cadastro atualizado de radioamadores voluntários. Ele também sugeriu parcerias com clubes de jipe, caminhoneiros e as Forças Armadas para ampliar a capacidade operacional em situações de desastre.

Promovida pelo Cemaden, unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), a Série de Debates “Ciência, Riscos e Desastres” busca aproximar pesquisadores, gestores públicos e instituições para fortalecer políticas de prevenção, monitoramento e redução dos riscos de desastres naturais em todo o país. O debate reforçou que experiências como as vividas pelo Acre mostram que sistemas alternativos de comunicação podem ser decisivos para salvar vidas quando a infraestrutura convencional entra em colapso.

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