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SAÚDE

Quando a inclusão entra na roda: alunos da APAE Rio Branco mostram, na Semana da Pessoa com Deficiência, a força de quem não aceita ficar “invisível”

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em

Assessoria

Na roda, não havia espectadores. Havia protagonistas.

Entre movimentos, sorrisos, palmas e o som cadenciado da capoeira, os alunos da APAE Rio Branco ocuparam na quadra de esportes da entidade, nesta terça-feira, 25, um espaço que lhes pertence por direito: o centro da roda. Ali, por alguns instantes, mais do que aprender movimentos ou acompanhar uma apresentação, eles mostraram que inclusão não é favor, não é concessão e muito menos caridade. É presença. É oportunidade. É direito.

A capoeira foi uma das atividades realizadas durante a programação da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, que ocorre anualmente entre os dias 21 e 28 de agosto. Na APAE Rio Branco, a iniciativa ganhou um significado que ultrapassa os movimentos do corpo: tornou-se uma forma de dizer, sem precisar de muitas palavras, que ninguém deve ser colocado à margem.

A atividade proporcionou aos alunos momentos de interação, movimento e convivência. Cada gesto, mesmo simples, carregava um significado. Cada tentativa era uma conquista. Cada sorriso parecia lembrar que, quando existem oportunidades, os limites deixam de ser o centro da história.

A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla tem justamente essa missão: ampliar o debate sobre inclusão, combater o preconceito e reforçar a participação das pessoas com deficiência nos diferentes espaços da sociedade.

Mas, na prática, a inclusão acontece muito além dos discursos. Ela acontece quando alguém abre uma roda e diz: “venha”.

É isso que o professor voluntário de capoeira Emerson D’Ávila Cardoso, conhecido como Tom, tem feito na APAE Rio Branco desde junho de 2025. Há mais de um ano, ele dedica parte do seu tempo ao trabalho voluntário com os alunos da instituição.

Para Emerson, levar a capoeira para dentro da APAE é também uma maneira de romper a invisibilidade que, muitas vezes, ainda acompanha as pessoas com deficiência.

“É importante divulgar essa atividade, incluir e mostrar que eles são pessoas iguais a gente. Não tem diferença. Justamente nessa semana, é uma forma de provar que a sociedade não deixa eles esquecidos, mas lembrados sempre”, afirmou.

A fala do professor resume o espírito da atividade. Não se trata apenas de ensinar a gingar, bater palmas ou acompanhar o ritmo. Trata-se de despertar possibilidades.

Na capoeira, o corpo encontra movimento. A mente encontra estímulo. E a pessoa encontra o outro.

Segundo Emerson, os benefícios ultrapassam a atividade física. A prática contribui para a coordenação motora, estimula o interesse por novas atividades e fortalece a interação entre os alunos.

“A capoeira trabalha a coordenação motora, desperta o interesse pela atividade e faz com que eles não fiquem parados. É importante sempre ter uma atividade para que possam interagir com outras pessoas, com os próprios amigos e colegas de sala”, explicou.

Há algo de profundamente simbólico nisso. Para quem olha de fora, pode parecer apenas uma roda de capoeira. Para quem está dentro dela, pode representar a descoberta de que é possível participar, aprender, experimentar e ocupar espaços.

E talvez seja justamente aí que esteja a essência da inclusão: não olhar para aquilo que uma pessoa supostamente não consegue fazer, mas criar condições para que ela descubra aquilo que pode fazer.

O presidente da APAE Rio Branco, Lázaro Barbosa, defende que essa mudança de olhar precisa ser permanente.

“A deficiência não deixa as pessoas incapazes. O que precisamos é garantir oportunidades, respeito e condições para que cada pessoa possa desenvolver suas potencialidades. Atividades como a capoeira mostram exatamente isso: eles participam, interagem, aprendem e também ensinam muito”, destacou.

A frase encontra eco no que aconteceu dentro da instituição nesta terça-feira. Ali, ninguém era invisível.

Os alunos estavam no centro. Participavam. Interagiam. Sorriam. Aprendiam. E, sobretudo, eram vistos. A programação da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla segue até sexta-feira, 28, com atividades voltadas à conscientização, à inclusão e à valorização das pessoas atendidas pela APAE Rio Branco.

Mas a mensagem que ficou da roda de capoeira não cabe em uma semana. Ela precisa atravessar os dias seguintes, chegar às escolas, às ruas, aos ambientes de trabalho, aos espaços públicos e privados. Precisa entrar na rotina de uma sociedade que ainda tem muito a aprender sobre respeito e igualdade.

Porque inclusão não deveria ter data no calendário. Deveria fazer parte da vida. E, naquela roda de capoeira, os alunos da APAE Rio Branco deram uma demonstração simples e poderosa disso: quando existe oportunidade, eles não querem apenas ser lembrados.

Querem participar. Querem ser ouvidos. Querem ocupar seu lugar. E, sobretudo, querem que a sociedade enxergue aquilo que sempre esteve diante dos seus olhos: pessoas com sonhos, talentos, desejos, potencialidades e histórias que não podem ser apagadas pela deficiência.

Na roda, ninguém ficou para trás. E talvez essa seja a verdadeira lição da capoeira: quando todos têm espaço para entrar, a roda fica maior — e ninguém precisa mais viver na invisibilidade.

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