CULTURA & ENTRETENIMENTO
Tradição, romance e nostalgia marcaram a segunda noite do 18º Circuito Junino de Rio Branco

A segunda noite do 18º Circuito Junino de Rio Branco levou emoção, cores, música e tradição à Praça da Revolução na noite deste sábado (13). Após a abertura oficial do evento, o público acompanhou as apresentações de três das principais quadrilhas filiadas à Liga de Quadrilhas Juninas do Acre (Liquajac): Bagaceiros do São João, C.L. na Roça e Sassaricano na Roça.
Realizado pela Liquajac em parceria com a Prefeitura de Rio Branco, o Circuito Junino reuniu grupos que representam a força do movimento junino acreano, responsável por manter viva uma das manifestações culturais mais populares da Região Norte.
Além das apresentações competitivas, o evento movimentou a economia criativa, gerando renda para costureiras, aderecistas, músicos, cenógrafos e centenas de brincantes que passaram meses preparando os espetáculos levados à arena.
Na segunda noite de programação, as juninas apostaram em narrativas marcadas pelo simbolismo, pelo romance, pela memória afetiva e pela valorização da cultura popular.
Bagaceiros do São João apostou em fé, amor e reencontros
Primeira a se apresentar na arena neste sábado, a Bagaceiros do São João levou ao público o espetáculo “Te Entrego ao Céu”, uma história que misturou amor, devoção e esperança sob o cenário das tradicionais festas de São João.
Fundada em Rio Branco, a quadrilha construiu, ao longo dos anos, uma trajetória marcada pela valorização das tradições juninas e pela aposta em enredos que unem emoção e identidade cultural.
Em 2026, a narrativa acompanhou Antônio e Rosa, dois jovens que fizeram uma promessa durante a infância, em uma noite de São João. Enquanto ele permaneceu no interior preservando as tradições da comunidade, ela partiu para a cidade em busca de novos caminhos. Separados pelo tempo e pela distância, os personagens viveram uma história guiada pela fé e pela crença de que algumas promessas jamais se perdem.
O grande símbolo da apresentação foi o balão junino, transformado em elo entre a terra e o céu. Segundo a proposta artística da quadrilha, ele representou sonhos, esperança e mensagens enviadas ao destino. O espetáculo também destacou personagens que simbolizaram a espiritualidade, a diversidade e a realização dos sonhos, em uma construção poética que buscou emocionar o público.
C.L. na Roça celebrou 25 anos com homenagem às raízes do São João
A segunda apresentação da noite ficou por conta da tradicional C.L. na Roça, que neste ano comemora 25 anos de atuação no movimento junino acreano. O grupo levou para a arena o espetáculo “Sanfona, Forró e Paixão Reacendem a Fogueira do São João”, uma homenagem às origens da cultura junina.
A quadrilha propôs uma reflexão sobre o enfraquecimento das tradições diante da competitividade e do individualismo. A história foi ambientada em uma cidade fictícia onde o São João desapareceu, levando consigo a união e o sentimento de comunidade.
Foi nesse cenário que surgiu Amora Pera, personagem inspirada simbolicamente no legado de Luiz Gonzaga e Anastácia. Ao lado de Maria da Sanfona e Zé do Baião, ela iniciou uma jornada para recuperar a memória cultural da cidade e reacender a chama dos festejos juninos.
A proposta da C.L. na Roça valorizou elementos tradicionais como a sanfona, a fogueira, o baião e os encontros comunitários. O casamento junino ganhou papel central ao simbolizar a reconciliação entre passado e futuro, tradição e renovação.
Reconhecida como uma das quadrilhas mais antigas do Acre em atividade, a C.L. na Roça chegou ao Circuito Junino carregando uma história construída ao longo de duas décadas e meia de dedicação à cultura popular acreana.
Sassaricano na Roça revisitou espetáculo marcante da própria trajetória
Encerrando a programação competitiva da segunda noite, a Sassaricano na Roça retornou à arena com uma releitura de um dos temas mais emblemáticos de sua história: “Cabaré – Magia e Sedução nas Noites de São João”.
Fundada em 1º de junho de 2003, na comunidade Nova Esperança, a quadrilha acumula 23 anos de atuação e consolidou seu nome entre os principais grupos do movimento junino acreano.
O espetáculo apresentado em 2026 revisitou a proposta levada à arena em 2019, mas com uma nova construção artística, mais madura e repleta de elementos cenográficos renovados. A ideia foi unir memória, tradição e inovação em uma única narrativa.
A trama transformou a arena em um grande cabaré junino, onde o brilho, a teatralidade e a música conduziram uma história de amor ambientada nas antigas noites de São João. O casamento junino contou a trajetória de Maria Ariana, jovem criada pela proprietária de um tradicional cabaré, que reencontrou seu grande amor, Jhon Ferino, em meio a desafios, preconceitos e demonstrações de coragem.
Com figurinos inspirados no universo dos cabarés, cores vibrantes, elementos de glamour e forte apelo cênico, a Sassaricano apostou em um espetáculo que misturou romance, tradição e entretenimento, sem perder a essência junina que marca sua trajetória.
Cultura popular em destaque
O 18º Circuito Junino de Rio Branco reuniu quadrilhas filiadas à Liquajac e reafirmou o papel do movimento junino como um dos principais patrimônios culturais do Acre. Mais do que uma competição, o evento representou meses de trabalho coletivo, preservação de tradições e fortalecimento da identidade cultural acreana.
Ao longo da noite deste sábado, o público acompanhou três espetáculos distintos, mas unidos por um mesmo propósito: manter viva a paixão pelo São João e pela cultura popular acreana.











