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Por que o sabiá-laranjeira canta na madrugada? USP convoca estudantes de SP para desvendar o mistério

Quem vive na cidade de São Paulo durante a primavera já pode ter vivenciado, mesmo sem perceber, um fenômeno curioso: o canto alto e melodioso do sabiá-laranjeira interrompendo o silêncio no meio da madrugada. O hábito da espécie é o foco central de uma pesquisa do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), apoiada pelo Instituto Serrapilheira.
O projeto busca entender por que essas aves, que normalmente cantam no início da manhã, estão cantando fora do horário esperado na metrópole, e quer a ajuda de alunos de anos finais do ensino fundamental para encontrar a resposta.
Ana Paula Assis, professora do IB-USP e responsável pela pesquisa, explica que a ideia é utilizar a metodologia de ciência cidadã — quando pessoas sem treinamento formal participam ativamente da coleta de dados científicos. Neste caso, os voluntários serão os próprios estudantes.
“São Paulo é uma cidade muito grande e seria muito difícil conseguir acesso para colocar gravadores em vários lugares. Além disso, nós queremos aproximar os estudantes da observação, da natureza, trazendo o deslumbramento com o meio natural. Esperamos despertar essa curiosidade”, afirma Ana Paula Assis.
Como surgiu a ideia do projeto
A ideia do estudo nasceu de uma observação cotidiana da própria pesquisadora, que notou o canto da ave constantemente após a 1h da manhã.
A bióloga esclarece que a maioria dos pássaros vocaliza na alvorada para se comunicar, atrair parceiros e defender território. Na capital paulista, contudo, esse comportamento parece fora de sincronia com o ciclo natural.
Janela silenciosa e o impacto do ruído urbano
Os pesquisadores trabalham com a hipótese de que a urbanização e a poluição sonora e luminosa influenciam diretamente o relógio biológico da ave:
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Fuga do barulho: Aves em grandes centros urbanos antecipam ou estendem o canto para encontrar “janelas silenciosas” e evitar a competição com o ruído do trânsito e da cidade.
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Iluminação artificial: A luz noturna confunde o sistema biológico da ave, que perde a noção exata de quando é dia ou noite.
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Variações regionais: Resultados preliminares mostram que sabiás no Horto Florestal (área de mata) começam a cantar por volta das 5h, enquanto em pontos barulhentos, como a Avenida Paulista, há registros de cantoria ao longo de toda a noite.
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Alerta ambiental: Em áreas com escassez de vegetação, como Paraisópolis, os gravadores do projeto piloto não registraram o canto de nenhuma ave, sinalizando a perda de biodiversidade em regiões socioeconomicamente vulneráveis.
Como as escolas podem participar
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Inscrições: Vão até 31 de julho de 2026 pelo site do projeto (www.projetosabia.ib.usp.br).
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Público-alvo: Turmas dos anos finais do Ensino Fundamental de escolas da cidade de São Paulo.
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Equipamentos: As escolas selecionadas recebem gravadores de alta tecnologia (capazes de registrar sons entre 23h e 6h) e sonômetros para medir o nível de ruído em decibéis.
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Capacitação: Alunos e professores passam por treinamento com os pesquisadores da USP para instalar os aparelhos, registrar coordenadas e coletar os dados. A meta para 2026 é atingir pelo menos 30 escolas participantes.
Fonte: G1 / Educação (Por Emily Santos)










