Gabriel Rasteli
Gabriel Rastelli escreve em Inquilinos da Mídia nesta quinta-feira, 20

Você já percebeu que em algum momento no passado nós, enquanto sociedade, perdemos o interesse em possuir coisas, para tão somente ter acesso a elas?
Por exemplo, ninguém mais compra um CD ou DVD pelo simples fato de que temos acesso à eles mediante a assinatura de um streaming. As locadoras de hoje estão em nossas próprias televisões.
No entanto, esse fenômeno social não mudou apenas o nosso comportamento. Transformou toda uma linha de pensamento, criou uma nova tendência, interferiu na economia do mundo todo.
Muita coisa mudou, de repente não faz mais sentido você ir à um lugar para escolher o filme que quer comprar. Não há mais o interesse de esperar para adquirir o próximo álbum do seu cantor favorito.
No mundo de hoje não há mais tempo para isso. O acesso a todo tipo de conteúdo está na palma de nossas mãos. Interessante o fato de que gigantes do mercado mundial como a Netflix e o Spotfy chegaram no Brasil em 2011 e 2014 respectivamente.
O sucesso foi tão repentino quanto à transformação vivida pela sociedade. Hoje é muito difícil você encontrar uma livraria próximo a sua casa. No entanto, você consegue ter acesso à inúmeros livros, inclusive os que foram lançados recentemente, em aplicativos por assinatura.
Ao passo que hoje temos à disposição um universo de consumo, ao mesmo tempo, nada possuímos. Isto porque para termos o acesso, precisamos pagar pela sua assinatura mensal.
Economicamente se tornou muito vantajoso para o cliente que, agora, tem acesso à milhares de filmes no mesmo instante com um único acesso. Imagina termos que comprar ou alugar todos os filmes ou séries que assistimos hoje? O mundo mudou não é mesmo!?
Essa cultura da não posse se expandiu. O aluguel era comum anteriormente para fins imobiliários. Hoje não mais. Você pode alugar praticamente o que quiser: casa, carro, celular, roupas e vai saber mais o quê.
O lado ruim é a cultura do desapego, de perder a memória afetiva daquilo que se possuía. De não termos mais uma coleção, a nossa coleção.
E o fato do aumento do consumo proporcionado pelos streamings trouxe um problema consigo: a necessidade de aumentar a produção de conteúdo.
E isso se torna um problema porque para atender a demanda de conteúdo, o volume de produção tem que ser grande. Assim muito conteúdo de baixa qualidade tem que ser produzido para alimentar a sede do público.
Por razões econômicas estamos deixando a arte mais pobre. Em nome da produção, estamos consumindo conteúdos duvidosos que anteriormente jamais teríamos comprado. Partindo da premissa que só vamos comprar aquilo que nos agrada, é claro.
Enfim, entre as razões e as emoções que temos para consumirmos os conteúdos que hoje estão à nossa volta, precisamos fazer valer a pena. Para assistir um bom filme, se não for agora ou depois, podemos esperar. Porque nesse caso, caro leitor, o que importa é a qualidade.












