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Sob impacto do El Niño, Brasil pode registrar sequências de dias com calor extremo até dezembro

O Brasil deve enfrentar pelo menos seis ondas de calor nos próximos meses, de acordo com um estudo realizado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O fenômeno, impulsionado pela intensificação do El Niño e pelo aquecimento global, tem mudado de comportamento e passado a cobrir áreas cada vez maiores do território nacional ao mesmo tempo.
A projeção de seis episódios é uma média calculada com base no histórico de 47 anos de dados meteorológicos em períodos sob influência do El Niño. No entanto, especialistas alertam que o número real pode ser ainda maior. No último evento sob este mesmo fenômeno, entre agosto e dezembro, o país registrou nove ondas de calor.
O que define uma onda de calor?
Segundo o Cemaden, uma onda de calor não se caracteriza apenas por um dia isolado de altas temperaturas. O evento é formalmente classificado quando, por um período de pelo menos três dias consecutivos, tanto as temperaturas máximas quanto as mínimas permanecem significativamente acima da média histórica para a época.
Essa ausência de alívio térmico durante a noite dificulta o resfriamento do ambiente e do corpo humano, aumentando os riscos para a saúde pública.
Fenômeno abrangente e sem trégua
A pesquisa do Cemaden revelou que a dinâmica das ondas de calor no Brasil mudou significativamente nas últimas décadas:
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Anos 1980 e 1990: Os episódios de calor extremo eram mais raros e costumavam se concentrar em regiões específicas, como trechos do Nordeste.
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A partir de 2010: Os eventos tornaram-se mais frequentes e passaram a afetar grandes extensões do país de forma simultânea.
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Cenário atual: O calor atinge áreas populosas e regiões que historicamente não possuem estrutura ou resiliência para enfrentar temperaturas tão elevadas.
Bloqueios atmosféricos e o aumento da temperatura de base
O gatilho principal para esses episódios é a formação de grandes sistemas de alta pressão que ficam estacionados sobre o país. Eles funcionam como uma tampa, bloqueando a entrada de frentes frias e a formação de nuvens de chuva. Sem nebulosidade, a radiação solar incide diretamente sobre o solo, secando a umidade da terra e elevando rapidamente as temperaturas.
Segundo os cientistas, o fator agravante atual não é a formação do bloqueio em si, mas sim a “temperatura de base” do planeta. Como a média global está mais quente, cada bloqueio atmosférico provoca picos de temperatura significativamente mais altos do que os registrados no século passado.
Além do desconforto térmico, o prolongamento dessas ondas de calor eleva o risco de queimadas, agrava quadros de seca severa e pressiona os sistemas de abastecimento de água e energia elétrica em diversas regiões.
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