POLÍCIA
34% das mulheres do Acre sofreram violência sem se reconhecer como vítimas

Mais de um terço das mulheres do Acre vivenciou situações de violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses sem identificar o que sofreu como violência. O percentual chega a 34% e coloca o estado entre os maiores índices do país, segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, divulgada pelo DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência.
O índice acreano está cinco pontos percentuais acima da média nacional, de 29%. Apenas Alagoas, com 36%, e Amazonas, com 35%, apresentam percentuais superiores. Tocantins também registra 34%.
O levantamento mostra uma diferença significativa entre sofrer situações caracterizadas como violência e reconhecer-se como vítima. No Brasil, apenas 4% das entrevistadas declararam espontaneamente ter sofrido violência no último ano, enquanto outros 29% relataram episódios de agressão sem classificá-los dessa forma.
No Acre, a proporção de 34% revela que aproximadamente uma em cada três mulheres entrevistadas passou por alguma situação enquadrada pela pesquisa como violência, mas não a reconheceu como violência doméstica ou familiar.
A pesquisa ouviu 21.641 mulheres em todo o Brasil e permite a comparação dos resultados entre todas as unidades da Federação. A coleta foi realizada entre 16 de maio e 8 de julho de 2025.
Segundo a coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência, Maria Teresa Prado, os dados mostram que as políticas públicas precisam atuar também antes de a vítima chegar aos serviços de proteção.
“A política pública só consegue proteger plenamente quando as mulheres têm informação para reconhecer a violência, conhecem seus direitos e encontram caminhos acessíveis e seguros para buscar ajuda”, afirmou.
Para a antropóloga Beatriz Accioly, gerente de políticas públicas pelo Fim da Violência Contra Mulheres no Instituto Natura, reconhecer a situação vivenciada como violência é uma etapa fundamental para que a mulher procure proteção e acolhimento.
A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher é realizada há 20 anos pelo Senado. O recorte estadual de 2025 integra o Mapa Nacional da Violência de Gênero, desenvolvido em parceria pelo Senado, Instituto Natura e Gênero e Número.
Fonte: Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, DataSenado e Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal.










