Connect with us

CULTURA & ENTRETENIMENTO

Projeto Polo de Cinema exibe animações acreanas na zona rural de Rio Branco

Publicado

em

No quilômetro 19 da AC-10, na zona rural de Rio Branco, cerca de 80 crianças da Escola Rural Luiza de Lima Cadaxo e moradores dos pólos agroflorestais Hélio Pimenta e Geraldo Fleming participaram de uma sessão de cinema especial na tarde desta sexta-feira (4). Durante a atividade, foram exibidas animações que apresentam histórias e lendas locais.
A sessão integra o projeto Polo de Cinema, executado pela Ciranda – Cultura, Comunicação e Meio Ambiente, que leva produções audiovisuais acreanas aos polos agroflorestais da capital. Na programação, o público assistiu a animações como A Lenda da Cobra Grande e Clarinha e o Boto, do escritor e cineasta acreano Enilson Amorim.
Além de democratizar o acesso ao cinema regional, o projeto promove reflexões sobre questões sociais e ambientais, abordando temas como o descarte adequado do lixo, a preservação da floresta e a relação com a natureza. A abordagem ganha ainda mais relevância neste 5 de setembro, data em que é celebrado o Dia da Amazônia.
Victória Moura, aluna do 3º ano, aprovou a experiência. “Gostei de tudo: da pipoca, do geladinho e dos filmes”, contou. A mãe da estudante, Gilcilene Moura, é servidora da escola e optou por matricular a filha na unidade rural. Para ela, iniciativas como o Polo de Cinema são fundamentais. “É uma oportunidade muito boa para as crianças”, afirmou.
Cinema nas comunidades
A cineasta e idealizadora do projeto, Alcinethe Damasceno, destacou que a iniciativa dá continuidade ao trabalho de descentralização do acesso à arte.
“O Polo de Cinema é a sequência de uma atividade que temos feito, levando cinema para as comunidades, para os quintais e para as varandas. Aqui encontramos um espaço ideal, para onde trouxemos mais de 80 crianças da Escola Rural do Hélio Pimenta. Foi uma mobilização muito legal com a comunidade, com os produtores do polo, com a escola, com o professor Zaqueu e com toda a equipe”, explicou.
Alcinethe detalhou ainda que esta primeira sessão foi voltada ao público infantil. Nos próximos dias, os documentários Mercado de Histórias e Ponte de Memórias serão exibidos aos produtores rurais da região.
“Esse projeto é financiado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do governo federal, e executado pela Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM). É muito importante esse investimento público na cultura e no cinema. Precisamos de mais recursos porque os projetos exigem uma estrutura grande para trazer muita gente, mas já é muito bacana ter esses editais para estarmos dentro da comunidade”, reforçou a idealizadora.
Fortalecimento entre comunidade e escola
O diretor da Escola Rural Luiza de Lima Cadaxo, Zaqueu Oliveira, agradeceu a inclusão da unidade no itinerário do projeto. “Só temos a agradecer à coordenação do projeto por nos procurar. Ela convidou a escola e a comunidade. Nossos alunos estavam muito ansiosos e agora têm a oportunidade de acompanhar um projeto que é do Acre. Isso nos orgulha muito, porque é a nossa história”, declarou.
A professora mediadora Lidiane Barbosa ressaltou que os estudantes do 2º ao 5º ano já trabalham conteúdos sobre o folclore brasileiro em sala de aula, e que a atividade reforçou esse aprendizado. “Foi maravilhoso para eles e para nós. Os filmes abordam lendas do folclore como a Iara e a Cobra Grande, e eles adoraram a experiência”, comentou.
Moradora do Polo Hélio Pimenta há mais de 30 anos e presidente da Cooperativa Amigos Solidários, Élida Guimarães também acompanhou a exibição. Ela destacou a importância de momentos de lazer e aprendizado para a comunidade agrícola.
“A sessão seria na minha casa, mas falei com o diretor, que é um grande parceiro, e ele nos cedeu o espaço. É um divertimento, porque aqui a gente é só trabalho. Quando acontece algo assim, as crianças ficam felizes. Além do lazer, assistimos a filmes com temas importantes, como o período de defeso da pesca, que é algo que já conhecemos por lei. É um aprendizado melhor para nós”, pontuou Élida.
Evolução no ensino rural
A trajetória do gestor Zaqueu Oliveira reflete a transformação da unidade: ele foi aluno da escola no ano 2000, tornou-se servidor efetivo em 2017 como professor e hoje cumpre seu segundo mandato como diretor. “É um grande orgulho trabalhar em prol da comunidade, porque quem nasceu aqui conhece os desafios e sabe do que a comunidade precisa”, afirmou.
Sob sua gestão, a Escola Rural Luiza de Lima Cadaxo saltou de 74 para 230 alunos nos últimos anos. O desempenho acadêmico também avançou: o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da instituição passou de 4,4 para 7,6 em 2026, consolidando a unidade na quinta posição entre as escolas mais bem avaliadas do estado.
“Esse resultado é fruto da dedicação dos nossos professores e da confiança que a comunidade deposita em nosso trabalho. Isso é essencial para que os nossos alunos possam buscar novas oportunidades profissionais no futuro”, finalizou o diretor.
Continue lendo