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Dia de Finados: milhares reverenciam os mortos no Cemitério São João Batista

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POR MANOEL FAÇANHA

Milhares de pessoas foram nesta segunda-feira (2) ao Cemitério São João Batista, localizado praticamente no centro de Rio Branco, para reverenciar seus familiares e amigos que já fizeram a passagem.

Ausência de mangas e misticismo

Neste ano, algumas particularidades chamaram a atenção. A primeira delas é a escassez de mangas no espaço físico, tão comum nesta época nos arredores ou até mesmo em cima dos túmulos. Outra diz respeito à presença de copos com água e tampados com pão, precisamente no Cruzeiro das Almas.

Essa “mística” é uma tradição de origem luso-brasileira fortemente ligada ao Catolicismo Popular e às religiões de matriz africana (como a Umbanda e o Candomblé). Essa prática não pertence a um único povo isolado, mas faz parte do sincretismo religioso brasileiro, sendo direcionada especialmente ao culto das “Almas Benditas” (ou Linha das Almas).

Num mergulho na história, podemos afirmar que essa prática já fazia parte dos costumes religiosos desde a Idade Média. Os povos ibéricos mantinham o costume de rezar e oferecer banquetes ou alimentos aos mortos para aliviar as dores do Purgatório. No Brasil, isso se consolidou na devoção às Santas Almas Benditas.

Principais significados

  • Alimento e sustento: O pão simboliza a nutrição, a partilha e o sustento para o plano espiritual.
  • Purificação e alívio: A água funciona como elemento de limpeza energética, capaz de trazer paz, refresco e alívio à sede ou ao cansaço das almas.
  • Gratidão e pedidos: Muitas pessoas realizam essa oferenda como um ato de agradecimento por graças alcançadas, proteção ou para “abrir caminhos”.
  • O porquê de ser tampado: Em algumas tradições, tampar o copo ou o alimento serve para proteger a oferenda contra insetos, poeira ou animais, além de evitar o acúmulo de água parada (prevenindo focos de doenças como a dengue, algo frequentemente recomendado pela administração dos cemitérios).

Familiares reclamam do vandalismo

Muitos dos visitantes demonstraram certa insatisfação com os furtos praticados por vândalos no Cemitério São João Batista. Muitos túmulos seguem sendo violados e peças de bronze ou alumínio, que servem para identificar os mortos, foram furtadas.

A dona de casa Fernanda da Silva Tavares, de 57 anos, filha do casal Fernando Tavares e Arminda da Silva, sepultados no Cemitério São João Batista, reclama da necessidade de uma política eficaz de segurança pública no cemitério mais antigo da cidade para garantir a respeitabilidade, a integridade física dos túmulos e o sossego espiritual dos entes queridos enterrados naquele espaço. “A cada ano cresce o vandalismo praticado contra os túmulos de nossos entes queridos”, comentou a dona de casa.

 

Outras curiosidades

O fanatismo, seja por um artista ou por um clube de futebol, é algo presente em vários cemitérios do país. No São João Batista, por exemplo, o jazigo de uma família resolveu adesivar a imagem do cantor sertanejo Leonardo. Em outro túmulo, a fotografia do ente querido sepultado está aparece com a camisa do Flamengo.

 

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