ARTIGO
Artigo do Dr. José Augusto: A eleição começa agora no Acre e a pré-campanha não garante vitória pra ninguém

A ELEÇÃO COMEÇA AGORA: NO ACRE, A PRÉ-CAMPANHA NÃO GARANTE VITÓRIA
A campanha eleitoral começa oficialmente neste domingo, 16 de agosto, e o cenário político do Acre entra, a partir de agora, em uma nova fase. Para os candidatos ao Governo do Estado e ao Senado, terminou o tempo das especulações, das pesquisas de pré-campanha, dos acordos de bastidores e das articulações que, muitas vezes, pareciam definir antecipadamente o rumo da eleição. A propaganda eleitoral nas ruas e na internet está autorizada, e o primeiro turno será realizado no dia 4 de outubro.
É preciso compreender uma realidade: a pré-campanha não ganha eleição. Pesquisas podem apontar tendências e a popularidade pode dar visibilidade a determinados nomes, mas nenhuma dessas condições, isoladamente, garante vitória. Ter exercido mandatos importantes, ter sido governador ou possuir forte reconhecimento popular também não significa que o resultado eleitoral já esteja definido. A partir de agora, o desafio será transformar conhecimento, apoio e intenção de voto em votos efetivamente conquistados.
Por isso, é hora de deixar para trás o excesso de confiança construído durante a pré-campanha. Pesquisas antigas, acordos que não produziram resultados e promessas de apoio que ainda não se materializaram precisarão ser confrontados com a realidade das ruas. A eleição passa a exigir presença, organização, capacidade de comunicação e propostas capazes de dialogar diretamente com os problemas enfrentados pela população.
O eleitor acreano já ouviu, ao longo de muitas eleições, promessas grandiosas de que o Estado será completamente transformado em apenas quatro anos. Mas a campanha que começa agora exigirá mais do que discursos emocionais e slogans bem elaborados. Será necessário apresentar propostas práticas e explicar, com clareza, como enfrentar os desafios da saúde, da educação, da segurança pública, da geração de emprego e renda, da infraestrutura e da administração dos recursos públicos.
Nesse contexto, os debates também terão importância. Não bastará falar bonito; será preciso demonstrar firmeza, conhecimento e capacidade de responder aos questionamentos. Uma candidatura precisará estar preparada para defender suas propostas e enfrentar as críticas dos adversários, sempre dentro dos limites do debate democrático. O eleitor não procura apenas promessas: quer entender os caminhos e as condições para que elas sejam cumpridas.
Outro fator decisivo será a estrutura das campanhas. E estrutura não deve ser entendida apenas como dinheiro. Estrutura significa organização, coordenação, comunicação eficiente, presença nos municípios, mobilização de lideranças, equipes preparadas e capacidade de acompanhar diariamente o desenvolvimento da disputa. Uma campanha pode ter muitos recursos e pouca eficiência, enquanto outra pode trabalhar de forma mais organizada e alcançar melhores resultados.
A reta final, especialmente, poderá ser determinante. Um dos maiores erros de uma campanha é concentrar toda a energia no início e chegar aos últimos dias sem capacidade de mobilização. É na fase decisiva que a organização precisa funcionar com maior intensidade, mantendo a comunicação ativa, fortalecendo a presença junto ao eleitorado e garantindo que a campanha tenha fôlego até o encerramento permitido pela legislação eleitoral.
As pesquisas continuarão sendo instrumentos de acompanhamento. As alianças continuarão tendo seu peso. A popularidade continuará sendo um ativo político. Mas nenhum desses elementos substitui o trabalho diário de uma campanha bem organizada. Daqui para frente, o cenário será definido pela capacidade de cada candidatura de apresentar propostas consistentes, sustentar um bom desempenho público, comunicar suas ideias e manter uma estrutura eficiente durante toda a disputa.
A pré-campanha cumpriu seu papel e ficou para trás. O que antes eram expectativas, projeções e articulações passa a ser submetido ao julgamento direto do eleitor. No Acre, vencerá a disputa quem conseguir transformar estratégia em organização, propostas em confiança e campanha em voto.
Porque, em uma eleição, não basta começar forte. É preciso manter a capacidade de mobilização até o último momento e chegar ao dia da votação com condições de disputar cada voto.
Dr. Augusto Rocha
Esp. em Gestão Pública, Gestão Hospitalar, Sociologia na educação e Teologia Cristã e Estudo Bíblico Avançado










