ARTIGO
Artigo do Dr Augusto Rocha: O Acre precisa romper o ciclo da pobreza e construir um novo modelo de desenvolvimento
O Acre chega a um momento decisivo de sua história. Depois de duas décadas de governos do PT, liderados por Jorge Viana, Binho Marques e Tião Viana, e de quase oito anos de administração do PP sob Gladson Cameli, o Estado continua convivendo com indicadores sociais que revelam um enorme desafio: transformar crescimento econômico em melhoria efetiva da qualidade de vida da população.
Os dados disponíveis mostram um cenário preocupante. O Acre aparece entre os estados com maior incidência de pobreza do país e registra um elevado número de famílias dependentes do Bolsa Família e de outros programas de transferência de renda. Segundo levantamentos baseados em dados do Cadastro Único e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, cerca de 72% das pessoas inscritas no Cadastro Único no estado recebem o Bolsa Família. Além disso, aproximadamente 38,6% dos domicílios acreanos são beneficiados pelo programa, alcançando mais de 120 mil famílias.
É importante reconhecer que o Bolsa Família desempenha um papel essencial no combate à fome e na proteção das famílias em situação de vulnerabilidade. O programa garante dignidade a milhares de brasileiros e representa uma importante política de assistência social. Entretanto, o grande desafio do poder público vai além da transferência de renda: consiste em criar oportunidades para que cada vez menos famílias precisem depender permanentemente desses benefícios.
Outro dado que merece atenção é o elevado índice de pobreza registrado no estado. Pesquisas do IBGE apontam que aproximadamente 46,2% da população acreana vive em situação de pobreza, colocando o Acre entre os estados com os piores indicadores sociais do Brasil. Esse cenário evidencia que a solução exige políticas públicas capazes de gerar emprego, renda e crescimento sustentável.
O governo que assumirá o Estado em 2027 encontrará uma das maiores missões da história recente do Acre: reduzir a pobreza, ampliar a geração de empregos e fortalecer a economia local. Isso exigirá um verdadeiro choque de gestão, planejamento estratégico e uma visão de longo prazo.
Entre as prioridades estão investimentos em infraestrutura, ampliação e modernização da malha rodoviária, melhoria da logística, incentivo à industrialização, fortalecimento do agronegócio sustentável, apoio ao empreendedorismo e criação de um ambiente favorável para atrair empresas de outras regiões do país. Sem infraestrutura e segurança jurídica, dificilmente novos investimentos chegarão ao estado.
O Acre possui enorme potencial econômico. Tem riquezas naturais, posição estratégica na Amazônia e ligação com mercados internacionais por meio da integração com Peru e Bolívia. No entanto, transformar potencial em desenvolvimento exige decisões políticas, planejamento e capacidade de execução.
Mais do que administrar programas sociais, o próximo governo terá a responsabilidade de criar oportunidades. O objetivo não deve ser reduzir a importância da assistência social, mas construir um estado onde mais famílias tenham emprego, renda e autonomia financeira.
O futuro do Acre dependerá da capacidade de transformar políticas assistenciais em uma verdadeira política de desenvolvimento. Afinal, a maior conquista de um governo não é aumentar o número de beneficiários de programas sociais, mas ampliar o número de cidadãos que conseguem prosperar pelo próprio trabalho, com dignidade, oportunidades e esperança.
Dr. Augusto Rocha
Esp. em Gestão Pública, Gestão Hospitalar, Sociologia na educação e Teologia Cristã e Estudo Bíblico Avançado












