CULTURA & ENTRETENIMENTO
Exposição de Burle Marx leva 86 peças de acervo brasileiro à Suíça e à Espanha

A trajetória de Roberto Burle Marx (1909–1994), artista que transformou o paisagismo brasileiro e se tornou referência mundial na utilização de plantas tropicais, será apresentada ao público europeu em uma exposição que reúne 86 peças do acervo do Sítio Roberto Burle Marx, 15 projetos paisagísticos e obras de diferentes períodos de sua carreira. A mostra “Roberto Burle Marx. Modernismo Tropical” será inaugurada em 16 de outubro, em Berna, na Suíça, e seguirá para Madri, na Espanha, em março de 2027.
Organizada pelo Zentrum Paul Klee e pela Fundación Juan March, a exposição conta com a parceria do Instituto Burle Marx e o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A temporada suíça ficará aberta ao público de 17 de outubro de 2026 a 7 de fevereiro de 2027. Na capital espanhola, a programação ocorrerá entre 5 de março e 13 de junho de 2027.
Entre os destaques estão pinturas, esculturas, tapeçarias, joias, figurinos de balé e documentos relacionados à produção artística e paisagística de Burle Marx. O conjunto inclui projetos como o calçadão de Copacabana, apresentados por meio de desenhos coloridos à mão, fotografias, maquetes e filmes.
Uma instalação audiovisual de 15 metros permitirá aos visitantes conhecer a diversidade vegetal do Sítio Roberto Burle Marx, localizado em Barra de Guaratiba, no Rio de Janeiro. A exposição também apresentará um mural de 13 metros concebido pelo artista.
As 86 peças cedidas pelo Sítio incluem obras autorais, ilustrações da botânica Margaret Mee, objetos pessoais e itens das coleções reunidas pelo paisagista ao longo da vida.
Nascido em São Paulo, em 1909, e criado no Rio de Janeiro, Burle Marx desenvolveu uma linguagem que aproximou pintura abstrata, arquitetura, música e botânica. Sua proposta rompeu com a tradição dos jardins geométricos europeus e consolidou o conceito de Jardim Tropical Moderno, marcado pela valorização das espécies nativas e pela composição artística da vegetação.
O interesse pela flora brasileira ganhou força durante uma temporada em Berlim, entre 1928 e 1930. Nas estufas do Jardim Botânico de Dahlem, o artista encontrou espécies brasileiras que eram pouco valorizadas nos projetos paisagísticos de seu próprio país.
A experiência influenciou sua defesa da biodiversidade nacional. Em expedições pelo interior do Brasil, Burle Marx identificou mais de 100 novas espécies vegetais. Cerca de 30 receberam o epíteto burle-marxii em sua homenagem.
Além de paisagista, atuou como pintor, desenhista, cenógrafo, figurinista, designer de joias e tecidos e cantor barítono. Também se destacou pela defesa ambiental, denunciando o desmatamento e a destruição de ecossistemas brasileiros.
Parte desse legado permanece preservada no Sítio Roberto Burle Marx, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Mundial em julho de 2021, na categoria Paisagem Cultural.
A propriedade possui 405 mil metros quadrados e abriga mais de 3.500 espécies vivas de plantas tropicais e subtropicais. O espaço foi adquirido em 1949 por Roberto e seu irmão, Guilherme Siegfried Marx, e transformado em laboratório de experimentação botânica, pesquisa e criação artística.
Em 1985, Burle Marx doou o imóvel ao Governo Federal para assegurar a continuidade das pesquisas e a preservação de suas coleções.
Atualmente administrado pelo Iphan, o complexo reúne sete edificações, seis lagos e um acervo museológico superior a 4 mil itens. Entre as construções estão a residência do artista, o Ateliê de Pintura e a Capela de Santo Antônio da Bica, do século 18.
A coleção inclui obras de arte pré-colombiana, peças sacras luso-brasileiras, cerâmicas populares, cristais, conchas e trabalhos do próprio Burle Marx.
A diretora do Sítio Roberto Burle Marx, Claudia Storino, participará da abertura da exposição na Suíça, em 16 de outubro, quando apresentará a importância histórica, artística e ambiental da propriedade.
A curadoria da mostra é assinada por Fabienne Eggelhöfer e Myriam Dössegger, do Zentrum Paul Klee, e Manuel Fontán del Junco e María Toledo, da Fundación Juan March.
A cerimônia de abertura, em 16 de outubro, terá entrada gratuita. Nos demais dias, a visitação dependerá da compra de ingressos. A exposição permanecerá na Suíça por quase quatro meses antes de seguir para a Espanha, onde ficará em cartaz até junho de 2027.












