ESPORTE
Foi assim (ou poderia ter sido)

Às vésperas de mais uma Copa do Mundo de Futebol (no caso a 23ª), faço um exercício de memória para tentar lembrar onde eu estava (e o que eu fazia) no momento exato em que a seleção do Brasil conquistou cada um dos seus títulos em, respectivamente, 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.
Em 1958, eu não consegui ingresso para assistir à final entre Suécia e Brasil. Quando eu cheguei em Solna, na região metropolitana de Estocolmo, local do jogo, os ingressos já estavam esgotados. Era natural que fosse assim. Afinal, os suecos queriam muito empurrar a sua seleção para a vitória.
Jogo cercado de tensão, como costuma ser uma final de Copa do Mundo, os suecos ganharam a primeira batalha: jogar com a sua tradicional camisa amarela, idêntica à camisa brasileira. O Brasil, então, teve que correr e providenciar camisas azuis, da cor do manto de Nossa Senhora Aparecida.
Por sorte, o hotel onde eu estava hospedado tinha um televisor no espaço do restaurante. Pude, dessa forma, assistir ao jogo nesse lugar, rodeado de suecos que também não conseguiram ingressos. Todos muito educados, me cumprimentavam cada vez que o Brasil marcava um gol.
Quatro anos depois, em 1962, no Chile, eu tive mais sorte e fui um dos 68 mil torcedores que conseguiram ingressos para a final entre Brasil e Tchecoslováquia. Vitória nossa por 3 a 1. Com Pelé contundido, coube a Amarildo, Zito e Vavá marcarem os gols brasileiros. Vitória maiúscula!
O detalhe insólito nesse episódio foi o sujeito que assistiu ao jogo ao meu lado. Meio gordinho, com um bigodinho fino sobre os lábios, olhando assustado para todos os lados e dizendo muitos palavrões, somente anos depois eu o reconheci numa foto: ninguém menos do que Augusto Pinochet.
Em 1970, eu não pude ir ao México. Também não vi pela televisão. Eu estava fazendo um trabalho de demarcação de terras no interior da Amazônia e tive que acompanhar a epopeia pelo rádio. Ouvi pelas narrativas de Waldir Amaral e Geraldo José de Almeida, ambos da Rádio Globo.
Na campanha do tetra, em 1994, na terra do Tio Sam (aquele malandro que aponta o dedo para levar os incautos para a guerra), o que mais me marcou foi a decisão por pênaltis contra a Itália. Sabem aquele pênalti que o Baggio errou? Fui eu quem secou o cara. Desviei a bola com os olhos!
Por último, em 2002, nos campos da Ásia, eu também estava lá. Comi tanto arroz com sushi que até hoje não posso mais nem olhar para esses alimentos. A final? Ah, aquilo foi um passeio. Brasil 2 x 0 Alemanha. O goleiro dos germânicos, Oliver Kahn, até hoje procura o Ronaldo Fenômeno!













