CULTURA & ENTRETENIMENTO
Piracema do mandi transforma rios de Boca do Acre em cenário de fartura e tradição

Com a chegada do verão amazônico, Boca do Acre volta a viver um dos momentos mais aguardados pelos pescadores e amantes da pesca artesanal: a tradicional piracema do mandi. Todos os anos, a intensa concentração desse peixe nos rios Purus e Acre atrai dezenas de embarcações e garante dias de abundância para quem depende da pesca. O fenômeno, que já faz parte da cultura local, movimenta comunidades ribeirinhas e reforça uma tradição passada de geração em geração, transformando os rios em um verdadeiro espetáculo da natureza.
O mandi é um peixe de couro bastante apreciado na culinária amazônica, conhecido pela carne saborosa, macia e de excelente aceitação entre os consumidores. Preparado frito, cozido, ensopado ou na tradicional caldeirada, ele é presença constante na mesa das famílias da região durante esse período de fartura. Em Boca do Acre, a maior parte da captura é destinada ao consumo das próprias famílias, fortalecendo a segurança alimentar e mantendo viva uma das mais importantes tradições alimentares da Amazônia.
Além de abastecer os lares e movimentar o comércio local, o mandi também ultrapassa as fronteiras do município. Parte da produção é comercializada em Rio Branco (AC), onde há boa procura pelo pescado durante a temporada, contribuindo para a geração de renda dos pescadores. Outra parcela segue para Manaus (AM), enviada principalmente por familiares de moradores de Boca do Acre que vivem na capital amazonense e aproveitam a fartura da época para compartilhar um dos peixes mais apreciados da culinária regional. Dessa forma, a piracema do mandi fortalece a economia, preserva tradições e evidencia a importância da pesca artesanal para a identidade e o sustento de inúmeras famílias bocacrenses.










