CULTURA & ENTRETENIMENTO
Resgate da memória amazônica: Lançamento coletivo de livros reúne literatura e história no Museu dos Povos Acreanos

RIO BRANCO (AC) — A literatura acreana ganha um importante capítulo na celebração da história local nesta sexta-feira, dia 30 de outubro de 2026. A partir das 16h30, o Museu dos Povos Acreanos abre suas portas para um lançamento coletivo que reúne obras voltadas à preservação da identidade cultural do estado. Uma das obras a ser lançada é “Guerreiros da Selva: Soldados da Borracha”, escrita pelo delegado aposentado da Polícia Civil e autor José Barbosa de Moraes.
O evento é aberto ao público, com entrada franca, e deve reunir pesquisadores, autoridades, historiadores e entusiastas da literatura regional.
O drama e a bravura dos Soldados da Borracha
Em seu livro, José Barbosa de Moraes alia rigor de pesquisa e narrativa romanceada para recontar a trajetória dos milhares de nordestinos enviados à Floresta Amazônica durante a Segunda Guerra Mundial, período que marcou o Segundo Ciclo da Borracha.
Com prefácio assinado por Adalberto Queiroz — poeta, cineasta e membro da Academia Acreana de Letras —, o texto coloca em evidência a disparidade no tratamento histórico entre os ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e os “Soldados da Borracha”. Enquanto os primeiros tiveram o devido reconhecimento, os trabalhadores dos seringais enfrentaram o esquecimento, isolados na mata fechada, expostos a enfermidades graves e a duras condições de trabalho.
A história se desenvolve a partir da trajetória do cearense João Farrapo e de sua companheira, Maria de Jesus. A narrativa aborda desde o recrutamento no Nordeste pelo SEMTA até as vivências nos rios Purus e Acre, retratando o transporte em navios gaiola, as crises de malária, a figura dos marreteiros e a tardia conquista de seus direitos com a Constituição Federal de 1988.
Segundo o próprio autor, o conceito da obra vai além do operário do látex: “Guerreiros da Selva não eram somente os soldados da borracha ou seringueiros, e sim todos aqueles que nos seringais contribuíram para a produção e sobrevivência na Amazônia.”
Novas obras fortalecem a pesquisa regional
A programação da tarde cultural traz ainda outros quatro lançamentos de autores e acadêmicos locais, cobrindo vertentes da memória e da religiosidade acreana:
A balada dos invisíveis — Carlos Pontes (UFAC)
Um seringal diferente: memórias compartilhadas — Maria Sevy Dourado da Silva
Uma história de vida e fé: Padre Paolino Baldassari — Irmã Maria Mavy Dourado de Souza
Espaços de Peregrinação: a devoção nas estradas de seringa — Rachel Dourado da Silva
Agenda
Evento: Lançamento Coletivo de Livros
Data: Sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Horário: 16h30










