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ESPORTE

Sonho com espadas vikings e o choro de 44 anos se repete

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Falar de derrotas, principalmente quando elas são dolorosas e por algo apaixonante, é sempre algo doloroso e apimentado por uma dose de revolta. Eu, por exemplo, preferi esperar a poeira baixar para falar da trágica eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega por 2 a 1, ocorrida neste domingo, no Estádio de Nova Jersey, nos EUA, pelas oitavas de final do Mundial de 2026.

E quero compartilhar com o leitor que, antes de iniciar minha análise da derrota canarinho, tive um sonho pessimista na madrugada do jogo contra os nórdicos. Na visão do meu onírico (ou “No meu sonho”), surgiam vikings na tela de um televisor, ao vivo, com suas enormes espadas varando ídolos do futebol brasileiro vestidos com armaduras do Exército Brasileiro – não me recordo muito, apenas de que eles não faziam parte da geração atual, mas eram daquela seleção formada por Taffarel, Cafu, Ronaldo Fenômeno, Edmundo, Bebeto, Leonardo, Aldair, Júnior Baiano, Dunga… que também perdeu para os noruegueses pelos mesmos 2 a 1, na Copa do Mundo de 1998, ocorrida em 23 de junho, no Stade Vélodrome, em Marselha, na França. O certo é que acordei atônito com aquela visão fantasmagórica. Não lembro se me benzi ou bati três vezes na madeira para espantar aquela “premonição”, como manda a tradição, mas tudo conspirou para a minha inércia. Basta verificar o placar da partida.

E deixando o meu onírico para trás, vamos ao que realmente interessa: a eliminação do Brasil na disputa da Copa do Mundo de 2026. Então, para ser didático na minha análise, resolvi enumerar os dez principais erros da derrota trágica do time brasileiro, isso em minha modesta opinião. Veja abaixo:

Os 10 Principais Erros da Eliminação

  1. O Brasil começou a ser eliminado há alguns anos. Refiro-me à instabilidade política na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na qual o antigo presidente, Ednaldo Rodrigues, esperou por anos pela contratação de Carlo Ancelotti, algo concretizado somente em maio de 2025. O atraso da chegada do treinador italiano causou prejuízos à preparação brasileira para o Mundial de 2026.
  2. A ausência de bons jogadores capazes de fazer o país voltar a ser protagonista numa edição de Copa do Mundo. Lembrando que o Brasil teve dificuldades durante as Eliminatórias Sul-Americanas, tanto que voltou a perder para a Bolívia, em jogo realizado na altitude, com Carlo Ancelotti no banco de reservas. No Mundial de 2026, passou sufoco contra Marrocos (1 a 1) e apertos contra o Japão (2 a 1).
  3. O Brasil, assim como viveu da dependência de Neymar nas copas de 2014, 2018 e 2022, praticamente repetiu essa dependência com Vinicius Júnior. Isso reflete a ausência de propostas de jogo bem definidas pelo seu treinador, onde um modelo coletivo esteja acima da dependência de um só atleta.
  4. A teimosia de Carlo Ancelotti com a presença de um volante lento na marcação e na saída de jogo entre os titulares do time canarinho. Refiro-me ao volante Casemiro, que há algum tempo não rende um futebol competitivo capaz de conter em campo as ações de bons jogadores como: Lionel Messi (Argentina), Cristiano Ronaldo (Portugal), Haaland e Odegaard (Noruega), Lamine Yamal (Espanha), Mbappé, Dembélé, Jules Koundé, Aurélien Tchouaméni e Michael Olise (França) e tantos outros. Fabinho era a bola da vez, mas foi ignorado pela preferência do mister Ancelotti pelo seu “homem de confiança”.
  5. Na eliminação para a Noruega, o Brasil renunciou à posse de bola, registrando apenas 34% de controle, algo que contribuiu decisivamente para a vitória do time nórdico. Na estratégia de Ancelotti para superar os vikings, ao menos o que ficou evidente era a aposta no famoso ferrolho – estilo de jogo muito praticado nas décadas de 1960 e 1970 e, inclusive, na trágica eliminação brasileira na Copa da Espanha de 1982 para a Azzurra por 3 a 2 (três gols oriundos de erros brasileiros anotados pelo saudoso italiano Paolo Rossi).
  6. O Brasil poderia ter saído na frente do placar. O atacante Matheus Cunha foi derrubado na área e o árbitro não marcou a penalidade, mas o VAR orientou a revisão do lance. O árbitro foi para o monitor e confirmou, então, a penalidade. O displicente Bruno Guimarães “telegrafou” a sua batida nas mãos do goleiro Nyland. Um fiasco a cobrança de pênalti do brasileiro!
  7. Outro erro foi apostar muito no duelo particular entre Gabriel Magalhães e Haaland. Nas estatísticas já havia spoilers de que o jogador nórdico levaria vantagem sobre o defensor brasileiro. No lance que originou o primeiro gol, além da falha de Magalhães — que não antecipou o lance ou sequer dividiu a bola com o grandalhão artilheiro viking —, o atacante Schjelderup pintou e bordou pelo lado direito da defesa brasileira antes de fazer a assistência na área.
  8. Numa Copa do Mundo, principalmente num jogo decisivo de mata-mata, não se pode perder um gol como o que o atacante Endrick desperdiçou, após excelente passe de Vinicius Júnior. O gol poderia ter mudado o jogo, pois o time norueguês teria que mudar sua proposta, e os espaços naturalmente iriam surgir para o ataque brasileiro ampliar a fatura. Também digno de registro seria a desestabilização psicológica da seleção nórdica com o gol sofrido.
  9. Outro erro preponderante para a nossa eliminação veio nas mudanças (substituições) feitas por Carlo Ancelotti no time brasileiro. Rayan, por exemplo, estava muito bem taticamente e ajudava muito o setor defensivo do lado direito brasileiro, apesar de ficar um pouco retraído na hora de partir para cima da defesa da seleção norueguesa. Outra mudança negativa foi a entrada de Neymar Júnior. O jogador, apesar da sua qualidade técnica, segue com pouquíssimo ritmo de jogo e mostrou durante a partida dificuldades numa marcação mais forte na saída de bola da equipe europeia. Ou seja: se o Brasil apresentava, a partir dos 20 minutos da etapa final, certa dificuldade para ficar com a bola, isso piorou com a presença de Neymar no lugar de Gabriel Martinelli e a saída do atacante aplicado Rayan para a entrada de Danilo Santos.
  10. Por fim, o Brasil chegou ao seu único gol em cobrança de pênalti convertida por Neymar Júnior. O lance foi praticamente no último minuto de partida. No entanto, o atacante santista, após a conclusão positiva do lance, preferiu um bate-boca particular com o goleiro Nyland ao invés de pegar a bola para reiniciar a partida e buscar um milagre no último minuto de jogo.

O Sentimento do Torcedor

Fica também, com a derrocada para os nórdicos, a tristeza de um povo apaixonado pelo futebol. Um povo sofrido que busca, através do futebol, uma overdose de felicidade em suas vidas. Eu confesso minha decepção e tristeza com a eliminação do time de Carlo Ancelotti, principalmente pela forma como ela veio, onde o Brasil praticou um futebol “covarde”, sem alma, sem intensidade, sem estratégia propositiva de jogo.

O certo é que ficou a tristeza no rosto do brasileiro, muitos deles em lágrimas, especialmente as nossas crianças. Como ocorreu na Copa do Mundo de 1982, quando o então garoto José Carlos Vilella Rabello Júnior, com 10 anos, foi flagrado às lágrimas após a eliminação brasileira para a Itália, na tarde de 5 de julho, no estádio do Sarriá, em Barcelona. Na época, o fato, clicado pelo fotógrafo Reginaldo Manente, foi capa dos principais jornais brasileiros e do mundo.

Há exatos 44 anos, a mesma cena presenciei no rosto da minha filha, Letícia Façanha; as lágrimas, após o primeiro gol do grandalhão Haaland, deslizavam pelo seu belíssimo rosto rosado. E lembrei, também, que essas lágrimas foram as mesmas que correram na minha face numa tarde triste de eliminação para a Itália na Copa do Mundo de 1982, em frente a um televisor preto e branco de 12 polegadas que ficava na sala da residência de minha mãe — que, nesta segunda-feira (6), se estivesse entre nós, estaria completando 83 anos de idade, mas Deus a levou para sua morada em dezembro de 2019.

Portanto, oxalá que na próxima edição do torneio – Espanha, Portugal e Marrocos/2030 –, tenhamos risos de felicidade, não lágrimas de tristeza. Oxalá!

 

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