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POLÍTICA

Tribunal de Contas cobra medidas firmes de enfrentamento à violência contra a mulher no esporte

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O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) participou, nesta sexta-feira, 20, de reunião por videoconferência promovida pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) para discutir medidas de enfrentamento à violência contra a mulher e ações de conscientização no ambiente esportivo acreano.

O encontro reuniu representantes da Federação de Futebol do Acre (FFAC), da Secretaria de Estado da Mulher do Acre (Semulher) e do TCE-AC. A presidente do Tribunal, conselheira Dulce Benício, e a conselheira Naluh Gouveia participaram das discussões e defenderam uma atuação institucional firme, pedagógica e articulada para que situações recentes não sejam normalizadas no contexto esportivo.

Durante o debate, a presidente Dulce Benício ressaltou que o enfrentamento à violência de gênero exige posicionamento claro das instituições públicas e das entidades esportivas.

“Não podemos permitir que discursos que fragilizam a dignidade das mulheres sejam tratados como algo comum ou aceitável. O silêncio institucional não é uma opção. É preciso agir com firmeza, com responsabilidade e com compromisso com os valores constitucionais da dignidade da pessoa humana e da igualdade de gênero”, afirmou.

A presidente destacou que o episódio recente envolvendo declarações discriminatórias por parte de dirigentes esportivos deve servir como marco para o fortalecimento de políticas educativas e de conscientização no esporte acreano.

“O futebol alcança milhares de pessoas. Justamente por isso, deve ser também instrumento de transformação social, de respeito e de promoção da cultura de paz. Situações como essa não podem ser naturalizadas.”

*Letramento e formação no ambiente esportivo*

A conselheira Naluh Gouveia defendeu a implementação de ações estruturadas de letramento e formação para dirigentes, comissões técnicas, atletas e demais profissionais do futebol.

“Muitas falas que antes eram toleradas hoje sabemos o quanto são prejudiciais. Precisamos de letramento, de formação contínua e de uma postura clara das instituições. O esporte precisa assumir seu papel educativo e enfrentar de maneira direta qualquer discurso que relativize ou desqualifique a violência contra a mulher.”

Naluh também enfatizou que a indignação social diante de episódios dessa natureza deve ser transformada em ação concreta.

“Não podemos permitir que situações graves sejam minimizadas ou esquecidas com o tempo. É necessário transformar indignação em política pública, em formação e em compromisso institucional permanente.”

*Ações conjuntas e uso das transmissões dos jogos*

Ao final da reunião, ficou deliberada a realização de ações conjuntas de conscientização já nas próximas partidas do campeonato estadual, com utilização dos meios de comunicação e das transmissões dos jogos para veiculação de mensagens institucionais de enfrentamento à violência contra a mulher.

O presidente da FFAC, Adem Araújo, manifestou apoio às propostas e destacou que os jogos transmitidos para o Brasil e para o exterior representam canal estratégico para disseminação de informações educativas.

A proposta inclui, ainda, a articulação com a rede de proteção às mulheres e a promoção de cursos e atividades formativas, fortalecendo uma cultura de respeito, prevenção ao feminicídio e combate a todas as formas de violência de gênero.

Texto e fotos: Andréia Oliveira

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