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CULTURA & ENTRETENIMENTO

Poema de Alessandro Borges retrata tragédia no Instituto São José: transformando dor em memória

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A violência que atingiu o Instituto São José, em Rio Branco, ganhou eco na literatura como forma de memória e resistência. No poema Tarde Sangrenta, o escritor Alessandro Borges, conhecido como o poeta da Baixada da Sobral, transforma o episódio em narrativa simbólica, marcada por dor, silêncio e heroísmo. A obra parte de um cenário cotidiano — uma escola em funcionamento — para evidenciar a ruptura abrupta provocada pelo ataque, retratando o impacto coletivo sobre alunos, professores e famílias.

O texto constrói uma atmosfera de contraste entre a normalidade e o caos, destacando a fragilidade da rotina diante da violência. Ao longo dos versos, a tragédia não é descrita de forma gráfica, mas evocada por sensações e imagens que reforçam o choque e a perplexidade. O foco se desloca, então, para a dimensão humana do ocorrido, com ênfase na solidariedade e no sacrifício.

As personagens citadas no poema surgem como símbolos de proteção e coragem, elevadas à condição de memória permanente. O autor associa suas atitudes a referências espirituais e coletivas, sugerindo que o gesto ultrapassa o episódio em si e passa a integrar a história emocional da cidade.

Ao final, o poema propõe uma leitura que vai além da perda, apontando para a permanência da lembrança e para a necessidade de enfrentar a violência com união e consciência. A literatura, nesse contexto, funciona como registro e também como forma de elaboração do luto.

Leia o poema na íntegra:

Tarde Sangrenta

Numa escola à beira do rio barrento,
O vento sussurrava calmaria.
Mas súbito, no claro do dia pleno,
Um grito rasgou o ar — e tudo ruía.

Era a fúria insana, inesperada:
A violência fria, arma na mão.
O estampido seco, dança descompassada,
Semeando morte em cada direção.

Sem freio, sem rosto, sem piedade,
Cuspia fogo, cega em seu furor;
E a vida, colhida em plena idade,
Caía em silêncio, vencida pela dor.

Zena e Raquel — luzes eternas —
Ergueram-se além do próprio fim.
Como Cristo, em entrega fraterna,
Deram suas vidas por outros, assim.

Tombaram juntas… mas não se apagam:
Renascem vivas na recordação.
São flores que em cada rua desabrocham,
Estrelas acesas no coração.

Não foi a arma que as fez parar,
Mas o destino que as uniu no fim.
Hoje brilham no céu a nos guiar,
Contra a sombra que insiste em vir.

Borges, Alessandro – 05/05/2026

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