Connect with us

Gabriel Rasteli

Colunista Gabriel Rasteli pergunta quem ensina a amar melhor, entre os filósofos Platão e Aristóteles

Publicado

em

Platão ou Aristóteles: quem ensina a amar melhor?

Você ama o que deseja ou o que já possui? Esse dilema nos traz inquietação há muito tempo. A pretensão não é apontar quem está amando da forma correta, mas sim trazer uma reflexão sobre como temos encarado o nosso objeto de amor.
Platão não foi apenas um homem influente em seu tempo. Suas marcas são notáveis até hoje nas estruturas e no modo de pensar da nossa sociedade como um todo. Principalmente a forma como nós ocidentais encaramos a vida.
Foi um dos maiores filósofos da Antiguidade, fundador da Academia de Atenas e adepto de uma visão de mundo que influenciou o pensamento de gerações.
Platão trouxe uma filosofia calcada no ideal, naquilo que se projeta como perfeito, trazendo consigo uma busca para com algo que está sempre à frente, no horizonte.
E o amor platônico consiste no desejo. Isso mesmo, para Platão amar é desejar. Ora, só desejamos aquilo que ainda não temos. Para o filósofo, o nosso amor sempre está condicionado ao desejo, e o desejo daquilo que não se tem.
Logo, temos que lidar com a ausência, uma vez que não possuímos o objeto do nosso amor. E quando porventura o conseguimos, aí então o desejo cessa, isto posto, o amor também cessa, pois não há mais como desejar aquilo que já se tem.
Concorde ou não com Platão, essa é uma lógica muito utilizada comercialmente. Não me venha com desculpas. O nosso objeto de desejo é sempre o celular mais novo e mais atualizado, o novo carro que é mais moderno e potente. Enfim, como diria o professor Clóvis de Barros Filho: “o capitalismo aplaude a lógica de amar de Platão”.
Do outro lado da mesa temos Aristóteles, discípulo de Platão e que pensava diferente de seu mestre. Também é um dos mais renomados filósofos de todos os tempos. Foi mentor de Alexandre, o Grande. Sua filosofia se tornou objeto de estudo atemporal.
E para Aristóteles, a relação amorosa tem uma conotação de contentamento. De se alegrar naquilo que já é seu. A lógica é essa: eu devo valorizar aquilo que eu já tenho.
Consigo até vislumbrar uma certa semelhança na carta do apóstolo Paulo enviada para a igreja de Filipos quando ele diz que aprendeu a se contentar em toda e qualquer situação.
Não se trata aqui de um mero conformismo ou uma apatia em relação a novas pretensões, mas sim há uma celebração, uma valorização da pessoa ou do objeto amado.
Dois grandes pensadores que nos fazem enxergar muito do que vemos em nossas relações atualmente. Entre o amor que falta e o amor que fica. Entre o desejo de ter e o valor por cuidar.
De certa forma são dois estímulos: o amor como desejo tem um prazo de validade, no qual a relação entre aquele que ama e o ser amado tende a ser mais breve, embora intensa; o outro se promove justamente na relação duradoura, promovendo uma cultura de cuidado e prática cotidiana.
E quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feita pelo coração? E quem me irá dizer que não existe razão? (trecho da música Eduardo e Mônica de Legião Urbana). Afinal, quem ensina a amar melhor: Platão ou Aristóteles?

Continue lendo

EXPEDIENTE

O Portal Acrenews é uma publicação de Acrenews Comunicação e Publicidade

CNPJ: 40.304.331/0001-30

Gerente-administrativo: Larissa Cristiane

Contato: siteacrenews@gmail.com

Endereço: Avenida Epaminondas Jácome, 523, sala 07, centro, Rio Branco, Acre

Os artigos publicados não traduzem, necessariamente, a opinião deste jornal



Copyright © 2021 Acre News. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por STECON Soluções Tecnológicas