POLÍCIA
Justiça marca audiência de réus acusados de matar cinco detentos durante rebelião no presídio de segurança máxima

Seis dos dez réus denunciados pelas cinco execuções ocorridas durante a rebelião no Presídio de Segurança Máxima Antônio Amaro Alves, em Rio Branco, serão interrogados pela Justiça no próximo dia 31. A audiência de Instrução e Julgamento será realizada pela 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar, no Fórum Criminal.
Entre os acusados estão Railan Silva dos Santos e Selmir Almeida de Melo, apontados pelas investigações como líderes do motim. Também serão interrogados Cleber da Silva Borges, José Ribamar Alves de Souza Filho, Deibson Cabral Nascimento e Rogério da Silva Mendonça, apontados como integrantes do grupo que fugiu do presídio federal de Mossoró.
Os seis respondem por cinco homicídios, além de acusações relacionadas ao sequestro e constrangimento ilegal de um policial penal feito refém durante a rebelião. Eles também são acusados por tentativas de homicídio contra agentes do Grupo Especial de Operações em Escolta (GEPOE) e por organização criminosa.
Antes dos interrogatórios, serão ouvidas as vítimas dos crimes de tentativa de homicídio, sequestro e constrangimento ilegal, além das testemunhas de acusação e defesa.
Réus estão em presídios federais
Atualmente, os seis acusados estão custodiados em três presídios federais de segurança máxima. Entre as unidades estão as penitenciárias de Catanduvas, no Paraná, e Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Por causa da distância e das condições de segurança, os réus participarão da audiência por videoconferência.
A rebelião
Considerada a maior rebelião da história do Acre, a revolta começou na manhã de 26 de julho de 2023. Na ocasião, detentos conseguiram abrir as celas, render presos que faziam a entrega de alimentos e, em seguida, fizeram um policial penal de refém.
O grupo invadiu o depósito de armas e assumiu o controle de praticamente toda a unidade prisional. Durante o motim, os rebelados invadiram pavilhões ocupados por integrantes de facções rivais e exigiram que os presos passassem a integrar o Comando Vermelho.
Os que se recusaram foram executados. As vítimas foram Marcos da Cunha Lindoso, conhecido como “Dragão”; Francisco das Chagas Oliveira da Silva, o “Ozim”; Lucas de Freitas Murici, o “Poloco”; David Lourenço da Silva, o “Mendigo”; e Ricardinho Vitorino da Silva, conhecido como “Anjo da Morte”.
Três dos presos foram decapitados durante a rebelião. O motim terminou somente após quase 24 horas, depois da entrada das forças de segurança na unidade.
Condenação por organização criminosa
No mês passado, Railan Silva dos Santos, conhecido como “General”, e Selmir Almeida de Melo foram condenados, juntamente com outros seis detentos, a 12 anos e 10 meses de prisão cada um.
A condenação ocorreu em um segundo processo, relacionado à participação em organização criminosa armada durante a rebelião no presídio de segurança máxima.
Agora, a Justiça dará continuidade ao processo que apura especificamente as cinco execuções e os demais crimes cometidos durante o motim.









