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RAIMUNDO FERREIRA

“As ideias são perfeitas”: Raimundo Ferreira reflete sobre Platão e a arte de materializar o invisível

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AS IDEIAS SÃO PERFEITAS
O que alguém imagina e busca implementar na prática — ou melhor, os arcabouços e as ideias que alguém estrutura na imaginação e tenta executar — são iniciativas que podem ser consideradas idealismo.
Filosoficamente, a explicação para esses comportamentos remonta a Platão, quando ele apresenta a questão do mundo das ideias e do mundo real, ou melhor, do mundo inteligível e do mundo sensível. Platão afirma que, para cada coisa material e visível, existe uma ideia correspondente no mundo invisível. Essa explicação é reforçada pela alegoria do mito da caverna, que apresenta uma realidade falsa, na qual pessoas estavam aprisionadas, convivendo com as sombras do mundo real e acreditando que aquilo constituía a verdadeira realidade.

O idealismo é forjado exatamente nessa perspectiva: as pessoas visualizam, na mente, alguma coisa e buscam materializar essa ideia na vida real. Essa realidade, que a princípio parece existir somente na teoria, além de existir fortemente, com todos os seus detalhes, na mente de quem a idealizou, pode, de fato, ser materializada. Ou seja, o mundo real, de direito e de fato, fica oscilando entre aquilo que é imaginado e aquilo que verdadeiramente é materializado.

Essa teoria avança ainda para explicar que aquilo que existe no mundo material é falso, passageiro e volátil, enquanto somente a IDEIA sobre essas coisas é verdadeira e permanente. Assim sendo, os idealistas são indivíduos que, de alguma maneira, dominam e controlam a realidade desse mundo manifestado.

Na obra A República, Platão criou a cidade ideal, na qual a justiça funcionaria de forma plena, as relações sociais aconteceriam de maneira totalmente civilizada, as relações comerciais e de negócios seriam conduzidas com absoluta honestidade e o sistema político funcionaria de modo que suas ações fossem inteiramente voltadas para o bem comum. Enfim, nada funcionaria em benefício pessoal, mas tudo estaria direcionado ao benefício do povo.

Ao apresentar essa ideia, os discípulos disseram: “Muito bem, essa cidade realmente é perfeita e ideal, mas ela não existe na realidade.” Sócrates então explicou que, de fato, ela não existia concretamente; no entanto, havia sido idealizada e, por essa razão, constituía um sonho possível. Enfatizou, ainda, que, se a partir daquele momento alguém se considerasse um cidadão habitante dessa cidade ideal e cumprisse fielmente suas regras, agisse de acordo com suas normas, fosse solidário e generoso para com seus semelhantes e cumprisse suas obrigações como cidadão honesto, então essa cidade existiria. Não importaria sua localização, tampouco onde estivesse aquele que se reconhecesse como seu ilustre habitante.

Em síntese, o idealista formaliza uma ideia na teoria, programa sua realização no tempo e no espaço e apresenta seus resultados no mundo real.

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