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ARTIGO

Artigo do reverendo Augusto Rocha: O futuro do Acre exige mais gestão, menos desperdício e mais resultados

Disputa entre Mailza Assis e Alan Rick coloca em evidência os desafios da próxima gestão: equilibrar as contas públicas, melhorar os serviços essenciais e criar condições para o desenvolvimento do estado.

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O futuro do Acre exige mais gestão, menos desperdício e resultados para a população

 

 

Por: Augusto Rocha

 

A disputa pelo governo do Acre, entre Mailza Assis e Alan Rick, vai além de uma eleição. O que está em jogo é a capacidade de administrar um estado que enfrenta desafios históricos na saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e geração de oportunidades. No primeiro turno, Mailza liderou a votação, mas não alcançou a maioria absoluta dos votos válidos. Com a decisão transferida para o segundo turno, os acreanos têm a oportunidade de avaliar as propostas dos candidatos e refletir sobre o futuro que desejam para o estado. Independentemente de quem vencer, o próximo governo precisará apresentar resultados concretos. A população não pode continuar sendo apenas destinatária de promessas eleitorais. Precisa de serviços públicos eficientes, investimentos bem executados e uma administração comprometida com as necessidades reais dos cidadãos.

 

Um choque de gestão: Reorganizar a máquina pública para investir mais no Acre

 

Um dos primeiros desafios será reorganizar a máquina pública, corrigir distorções administrativas e garantir que os recursos públicos sejam utilizados com responsabilidade, transparência e resultados concretos para a população.

É necessário revisar contratos, avaliar despesas administrativas e realizar um levantamento completo dos cargos comissionados, verificando a remuneração, a lotação efetiva, as funções exercidas e os resultados apresentados por cada ocupante. É fundamental identificar possíveis sobreposições de funções, cargos sem justificativa administrativa e despesas que não geram benefícios proporcionais para a sociedade. A remuneração e as responsabilidades de cada profissional devem ser avaliadas com critérios objetivos, respeitando a legislação e os direitos dos servidores.

 

A campanha política termina no dia 25 de outubro, mas o compromisso com a administração pública deve estar acima de interesses eleitorais. É inadmissível que a disputa por cargos e espaços políticos se prolongue até 2030, comprometendo o planejamento, a eficiência administrativa e o interesse coletivo. O Estado precisa de uma gestão orientada por critérios técnicos, competência e responsabilidade, e não pela distribuição de cargos para atender a interesses particulares ou de grupos políticos.

É urgente combater o desperdício, corrigir privilégios indevidos e eliminar práticas que consomem recursos públicos sem apresentar resultados para a população. Isso exige uma análise criteriosa dos contratos, das despesas administrativas, dos cargos comissionados e dos repasses financeiros, sempre dentro dos limites constitucionais e legais. O objetivo deve ser reduzir gastos desnecessários, corrigir distorções e fortalecer a capacidade de investimento do Estado, sem comprometer o funcionamento das instituições nem a qualidade dos serviços essenciais.

 

Também é indispensável valorizar os servidores efetivos e os profissionais técnicos que, diariamente, contribuem para o funcionamento da administração pública. Essa valorização deve estar associada à qualificação profissional, às condições adequadas de trabalho, ao planejamento e à definição de metas claras. A avaliação de desempenho precisa ser justa, transparente e compatível com as atribuições de cada função, reconhecendo o mérito, a competência e os resultados efetivamente alcançados.

Uma administração eficiente não pode se limitar a anunciar investimentos, apresentar números ou divulgar relatórios. É necessário fiscalizar a execução dos programas, identificar falhas, corrigir problemas e demonstrar, por meio de indicadores verificáveis, quais melhorias foram efetivamente entregues à população. O que deve orientar a gestão são os resultados concretos na vida dos acreanos.

 

A responsabilidade fiscal também exige diálogo e cooperação institucional com a Assembleia Legislativa, o Poder Judiciário e os demais órgãos públicos. Dentro dos limites constitucionais e legais, é possível discutir despesas, rever repasses e negociar ajustes quando cabíveis, respeitando a autonomia institucional e os compromissos obrigatórios de cada órgão. Essa análise deve buscar o equilíbrio das contas públicas e ampliar a capacidade de investimento em áreas prioritárias.

O Acre precisa de uma gestão capaz de fazer mais com os recursos disponíveis, economizando onde houver desperdício e investindo onde a população mais necessita. Saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento devem receber atenção prioritária, com planejamento, transparência e acompanhamento permanente dos resultados.

Enxugar despesas desnecessárias não significa retirar direitos, desvalorizar servidores ou comprometer os serviços essenciais. Significa corrigir distorções, combater privilégios indevidos, melhorar a eficiência administrativa e direcionar os recursos economizados para investimentos que tragam benefícios reais à sociedade.

 

Para assegurar transparência, é fundamental que a população tenha acesso aos resultados dessa reorganização. A divulgação periódica dos valores economizados, dos contratos revisados e da destinação dos recursos permitirá verificar se as medidas adotadas estão produzindo os efeitos esperados. Afinal, não basta prometer economia: é preciso demonstrar quanto foi economizado, onde os recursos foram aplicados e quais benefícios chegaram à população.

O dinheiro público pertence à sociedade e deve estar a serviço dela, e não de interesses particulares ou de grupos políticos famintos por espaço na administração. O compromisso de uma gestão responsável é transformar recursos em serviços de qualidade, oportunidades e melhores condições de vida.

Chegou o momento de reorganizar a máquina pública, combater desperdícios, valorizar quem realmente contribui para o funcionamento do Estado e responsabilizar, dentro da lei, aqueles que não cumprem suas obrigações. O Acre precisa de uma administração eficiente, transparente e comprometida com resultados, capaz de transformar economia em investimento e de construir um futuro melhor para todos os acreanos.

 

Infraestrutura: o Acre precisa superar seus gargalos

 

O Acre precisa superar dificuldades logísticas que encarecem o transporte de mercadorias, dificultam o deslocamento da população e limitam a atração de novos investimentos.

Em balanço divulgado em janeiro de 2026, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que 62% das rodovias federais no estado estavam classificadas em condições boas ou regulares. O órgão também registrou aproximadamente R$ 337,3 milhões em investimentos do Novo PAC destinados à manutenção e restauração rodoviária no Acre. Os números reforçam a importância de acompanhar a aplicação dos recursos, fiscalizar a qualidade das obras e cobrar soluções duradouras para a BR-364, especialmente durante o inverno amazônico.

 

A rodovia é fundamental para a integração regional, o abastecimento e o escoamento da produção. Garantir condições seguras de tráfego durante todo o ano exige planejamento, manutenção contínua e articulação entre os governos estadual e federal. Além da BR-364, o estado necessita de estradas estaduais bem conservadas, pontes seguras e melhores condições de acesso às comunidades rurais. Uma infraestrutura confiável, associada à segurança jurídica e à eficiência administrativa, pode contribuir para atrair empresas, gerar empregos e ampliar as oportunidades econômicas.

O desenvolvimento precisa ser tratado como uma política de longo prazo, com projetos viáveis, investimentos bem fiscalizados e resultados que alcancem os municípios acreanos.

 

Educação: alfabetizar precisa ser prioridade

 

Na educação, os indicadores mostram a dimensão do desafio. Segundo o Ministério da Educação, 51% dos alunos do 2º ano do ensino fundamental no Acre estavam alfabetizados em 2024, conforme o Indicador Criança Alfabetizada.

O percentual reforça a necessidade de uma força-tarefa para melhorar a aprendizagem, apoiar os professores e acompanhar o desempenho dos estudantes. O próximo governo deverá estabelecer metas claras, identificar as dificuldades de cada escola e divulgar periodicamente os resultados.

 

A política educacional também precisa alcançar jovens e adultos que não tiveram acesso adequado à alfabetização. Combater o analfabetismo exige planejamento, continuidade e estratégias adaptadas às diferentes realidades dos municípios.

Investir na formação continuada dos professores, melhorar as condições das escolas e recuperar a aprendizagem são medidas indispensáveis. O objetivo deve ser garantir que cada estudante tenha condições reais de aprender e concluir sua trajetória escolar com conhecimentos que ampliem suas oportunidades.

Educação de qualidade não se constrói apenas com recursos financeiros. Exige profissionais valorizados, gestão eficiente e compromisso permanente com os resultados.

 

Segurança pública: presença do Estado nas comunidades

 

O enfrentamento às facções criminosas e à violência contra as mulheres também exige uma política permanente, integrada e baseada em resultados. O próximo governo precisará fortalecer a atuação das forças de segurança, investir em inteligência policial, aprimorar as investigações e ampliar a integração entre as instituições. O combate às facções deve alcançar também as estruturas financeiras e logísticas que sustentam essas organizações, sempre dentro da lei.

 

O feminicídio exige atenção especial. Prevenir esses crimes significa melhorar o acolhimento às vítimas de violência doméstica, facilitar o acesso aos canais de denúncia, fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas e integrar os serviços de segurança, saúde e assistência social. A presença do Estado precisa ser ampliada nas comunidades, com policiamento preventivo, espaços de convivência, oportunidades para os jovens e serviços sociais. Segurança pública não pode se resumir a operações pontuais: deve combinar prevenção, investigação, proteção às vítimas e acompanhamento dos resultados.

 

Saúde: reduzir as filas e humanizar o atendimento

 

Na saúde, uma das prioridades deve ser reduzir as filas de regulação para consultas, exames e cirurgias. Isso exige conhecer a dimensão da demanda, reorganizar os atendimentos e ampliar a capacidade de resposta da rede pública.

O Acre possui instrumentos de transparência que podem contribuir para esse acompanhamento. A Lei Estadual nº 4.559/2025 estabeleceu regras para a divulgação de informações sobre procedimentos médicos e cirúrgicos, gastos com órteses, próteses e materiais especiais, além de informações relacionadas à terceirização de mão de obra médica.

 

O desafio da próxima gestão será garantir que a transparência se traduza em acompanhamento efetivo dos serviços, fiscalização dos gastos e melhoria do atendimento. A população precisa conhecer os tempos de espera e ter informações claras sobre o andamento de seus procedimentos. Humanizar a saúde significa tratar cada paciente com respeito, reduzir deslocamentos desnecessários e evitar que pessoas aguardem por tempo excessivo sem informações adequadas.

 

Também é indispensável fiscalizar contratos, compras, estoques de medicamentos e utilização de equipamentos para prevenir desperdícios e combater irregularidades. Não basta construir unidades de saúde ou adquirir equipamentos: é necessário garantir profissionais, insumos, manutenção e organização para que os serviços funcionem.

A saúde pública deve ser avaliada pela capacidade de atender às pessoas e resolver seus problemas, e não apenas pelo volume de recursos gastos.

 

Habitação e combate à corrupção

 

A política habitacional também precisa avançar. O governo estadual deve articular com o governo federal e as prefeituras programas capazes de reduzir o déficit de moradias no Acre, com critérios transparentes para a seleção dos beneficiários.

Os projetos precisam garantir infraestrutura básica, saneamento, acesso ao transporte e proximidade de escolas, unidades de saúde e oportunidades de trabalho. Uma política habitacional eficiente deve melhorar as condições de vida das famílias sem criar novas dificuldades de acesso aos serviços públicos.

 

Em todas as áreas, a fiscalização deve ser permanente. Contratos, licitações, convênios, obras e programas precisam estar sujeitos a controles eficientes e transparência. Suspeitas de irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos competentes, com respeito ao devido processo legal e responsabilização quando houver provas.

Combater a corrupção significa prevenir desvios, corrigir falhas administrativas e assegurar que o dinheiro público seja utilizado para atender às necessidades da sociedade.

 

Uma equipe preparada para governar

 

A qualidade do primeiro escalão será decisiva. O próximo governador precisará escolher profissionais com qualificação, experiência, integridade e capacidade de execução. Mais do que acomodar interesses políticos, a formação da equipe deve considerar a competência necessária para resolver problemas e entregar resultados.

 

Cada secretaria deve trabalhar com metas claras, prazos definidos e indicadores que permitam à população acompanhar o desempenho da gestão. Projetos atrasados precisam ser corrigidos, e políticas que não apresentam resultados devem ser reavaliadas. O Acre também precisa de diálogo institucional. A cooperação entre o governo estadual, os municípios, o governo federal e os demais Poderes pode ampliar a capacidade de investimento e facilitar a execução de projetos prioritários.

O objetivo deve ser construir uma administração que funcione de maneira integrada, com planejamento, fiscalização e compromisso com os resultados.

 

A eleição passa, mas a cobrança permanece

 

Se Mailza Assis vencer, terá o desafio de demonstrar que a continuidade pode vir acompanhada de renovação administrativa e melhorias concretas. Se Alan Rick vencer, precisará transformar suas propostas em um plano viável, com equipe preparada, responsabilidade fiscal e capacidade de articulação institucional.

 

Em qualquer cenário, os acreanos deverão acompanhar os compromissos assumidos e cobrar resultados. O próximo governo precisará demonstrar como pretende enfrentar os problemas, de onde virão os recursos e quais metas serão alcançadas durante o mandato.

O Acre precisa de estradas seguras, escolas que ensinem, hospitais que atendam, comunidades protegidas e oportunidades de emprego e renda. Para isso, será necessário gastar melhor, combater desperdícios, planejar investimentos e assegurar que os serviços públicos funcionem.

 

O verdadeiro desafio não é simplesmente cortar despesas, mas fazer sobrar recursos para investir sem abandonar as necessidades da população. O estado precisa deixar de concentrar suas energias nas disputas do passado e olhar para o presente e o futuro. Isso significa reconhecer erros, corrigir falhas e construir soluções duradouras.

 

A eleição passa, mas a responsabilidade de governar permanece. No fim, o que deve determinar a avaliação do próximo governo não são os discursos de campanha, mas os resultados concretos na vida dos acreanos.

Dr.  Augusto Rocha

Esp. em Gestão Pública, Gestão Hospitalar, Sociologia na educação e Teologia Cristã e Estudo Bíblico Avançado

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes para publicação:

Educação: Ministério da Educação — Indicador Criança Alfabetizada, dados de 2024. [Consultar documento oficial] (https://www.gov.br/mec/pt-br/crianca-alfabetizada/monitoramento-e-avaliacao/ac_ica2024.pdf?utm_source=chatgpt.com).

 

Infraestrutura: DNIT — balanço de investimentos rodoviários divulgado em janeiro de 2026. [Consultar publicação] (https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/noticias/regiao-norte-recebeu-r-3-3-bilhoes-em-obras-de-infraestrutura-em-2025/?utm_source=chatgpt.com).

 

Saúde: [Portal de Regulação do Acre] (https://regulacao.saude.ac.gov.br/?utm_source=chatgpt.com) e [Lei Estadual nº 4.559/2025] (https://legis.ac.gov.br/detalhar/6414?utm_source=chatgpt.com).

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