ARTIGO
Acreano Francimar Cavalcante tem artigo publicado em revista da Câmara de Comércio Brasil-Peru
Por Francimar Cavalcante
O eixo da economia global mudou. O Oceano Pacífico consolidou-se como o grande centro das rotas comerciais do século XXI, e a América do Sul vive um momento de redefinição de sua geografia econômica. Diante de gargalos operacionais e tensões que afetam as rotas marítimas tradicionais, o Brasil encontra no seu próprio continente a alternativa mais ágil, competitiva e sustentável para alcançar os mercados mundiais. No coração dessa transformação, o estado do Acre destaca-se como o grande hub de integração logística, comercial e industrial da Amazônia Sul-Ocidental.
Longe de figurar apenas como um corredor de passagem, o Acre assume o papel de protagonista e catalisador dessa integração. A estrutura logística que conecta o território acreano ao Peru encurta distâncias e reconfigura o alcance das exportações brasileiras. A consolidação do Megaporto de Chancay, no litoral peruano, somada à rede de portos do Pacífico, abre uma rota estratégica capaz de reduzir em até 15 dias o tempo de navegação rumo à Ásia em relação aos trajetos pelo Atlântico.
Os indicadores econômicos refletem com clareza a força vibrante dessa vocação. O fluxo de transações comerciais que utilizam o Acre como plataforma logística para alcançar o Peru e o mercado asiático registra avanços percentuais expressivos últimos anos. Paralelamente, o próprio estado apresenta uma expansão acelerada de dois dígitos em suas exportações, com o mercado peruano absorvendo mais de um quarto de todas as operações do comércio exterior acreano. Esse dinamismo reflete-se diretamente no ritmo de crescimento do PIB estadual, que avança acima da média nacional e consolida a região como um polo altamente atrativo para novos investimentos.
A força dessa arquitetura logística apoia-se diretamente no fato de dois dos três grandes eixos de integração entre a Peru e Brasil tem como destino o território do Acre. O corredor sul, liga a Carreteira Interoceânica no Peru a estrutura viária Brasileira pela BR-317, a o corredor Interoceânica, já garante a ligação de Rio Branco a Lima e aos portos do Pacífico em cerca de 2.200 quilômetros. Em paralelo, a possível consolidação do corredor central, interligando Cruzeiro do Sul no Acre a Pucallpa em Ucayali, com a superação do trecho de 230 quilômetros na fronteira da região do Juruá, encurtará a distância entre Rio Branco e Lima para aproximadamente 1.600 quilômetros, uma redução proporcional de 26% no percurso total. Conectado simultaneamente a ambos os eixos, o Acre assegura uma posição logística ímpar para aproximar a produção brasileira das economias da APEC.
Essa integração ganha sua dimensão mais promissora quando associada à bioeconomia e à inovação sustentável. O Acre e o Peru compartilham a riqueza da biodiversidade amazônica, e a grande oportunidade desta aliança está na capacidade de transformar esse patrimônio em produtos de alto valor agregado: cosméticos florestais, alimentos funcionais, fitoterápicos e insumos de base sustentável. Ao unir ciência aplicada, vocação industrial e os incentivos de áreas de livre comércio e zonas francas, a região passa a liderar a oferta global de produtos verdes com selo e denominação de origem amazônica.
Para que esse ecossistema expanda toda a sua capacidade, a articulação institucional é o motor indispensável. Entidades como a Câmara de Comércio Brasil-Peru (CAMBRAPER) desempenham um papel fundamental ao conectar lideranças empresariais, promover investimentos privados e alinhar as diretrizes corporativas às políticas públicas de desenvolvimento regional.
A agenda prioritária exige a modernização contínua das estruturas alfandegárias, a ampliação de postos de controle integrados nas fronteiras e a implantação de plataformas logísticas dotadas de portos secos e centros de distribuição avançados. Exige, igualmente, a criação de mecanismos de financiamento para o comércio bilateral e o fortalecimento de protocolos de rastreabilidade socioambiental, garantindo segurança jurídica e competitividade internacional.
O Brasil e o Peru têm nas mãos a oportunidade de liderar um novo ciclo de prosperidade e cooperação no Sul Global. O Acre firma-se como o elo decisivo dessa conquista: uma força provedora de oportunidades, um centro de inovação sustentável e a porta de entrada para o mercado mais dinâmico do planeta. A integração comercial bioceânica é o presente em expansão, e a liderança do Acre assegura que o futuro da economia sul-americana seja built com solidez, visão e soberania.










