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Brasiléia lidera ambiente de negócios no Acre com índice de 59,99; inovação é o maior gargalo do Acre

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Estudo realizado pelo Fórum Empresarial de Desenvolvimento e Inovação com 586 empresas em 12 municípios acreanos revela um cenário de contrastes na economia do estado. Enquanto Brasiléia alcançou o melhor ambiente de negócios do Acre, com Índice de Ambiente de Negócios (IAN) de 59,99, Mâncio Lima ficou na última colocação, com 41,95. A média estadual foi de 50,87, classificação considerada moderada, mas o levantamento aponta que a inovação continua sendo o principal entrave ao desenvolvimento econômico, registrando índice negativo (-0,13) e exigindo, segundo os pesquisadores, um salto de 14.720,72% para atingir o patamar considerado ideal.

Os dados fazem parte do estudo “Análise de Ambiente de Negócios: diagnóstico, desafios e oportunidades para o Acre”, elaborado pelo Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento em parceria com a Otimiza Consultoria Econômica e Financeira. A pesquisa ouviu empresários entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e avaliou sete dimensões consideradas fundamentais para a competitividade empresarial: eventos climáticos, recursos financeiros, telecomunicações, mercado e demanda, infraestrutura, recursos humanos e inovação.

O ranking municipal mostra que Brasiléia ocupa a primeira posição, seguida por Tarauacá (55,14) e Cruzeiro do Sul (54,04), únicos municípios classificados como de alto desempenho relativo. Na outra ponta aparecem Sena Madureira (44,20), Assis Brasil (42,49) e Mâncio Lima (41,95), que concentram os ambientes de negócios mais frágeis entre as cidades pesquisadas.

 

Embora o índice estadual esteja na faixa considerada regular, o relatório conclui que o número esconde profundas desigualdades regionais. Municípios apresentam desempenhos bastante distintos conforme a dimensão analisada, revelando que os desafios não são homogêneos em todo o território acreano.

Entre os sete indicadores avaliados, eventos climáticos obteve o melhor resultado, com índice parcial de 16,90, seguido por recursos financeiros (10,18), telecomunicações (9,60) e mercado e demanda (7,79). Em contrapartida, infraestrutura (5,44) e recursos humanos (4,26) aparecem com desempenho baixo, enquanto inovação apresentou resultado negativo (-0,13), tornando-se o principal gargalo identificado pela pesquisa.

O levantamento revela que apenas Brasiléia conseguiu registrar desempenho expressivamente positivo em inovação, alcançando índice de 6,72. Rio Branco aparece discretamente acima da média, com 0,96, enquanto Epitaciolândia registrou 0,47. Todos os demais municípios apresentaram indicadores negativos, incluindo Cruzeiro do Sul (-1,34), Tarauacá (-2,97), Feijó (-3,27), Plácido de Castro (-3,27) e Mâncio Lima (-4,20), pior desempenho do estado.

 

A infraestrutura também evidencia diferenças importantes. Acrelândia lidera nesse quesito, com índice de 7,43, seguida por Plácido de Castro (6,41) e Brasiléia (6,28). Cruzeiro do Sul, apesar de ocupar a terceira posição geral no ranking estadual, registra apenas 4,62 nesse indicador, demonstrando que o bom desempenho do município está sustentado por outros fatores, como mercado consumidor, recursos financeiros e condições climáticas.

Em recursos humanos, Tarauacá apresenta o melhor resultado (5,52), seguida de Feijó (5,29) e Brasiléia (4,85). Já Plácido de Castro (2,99), Assis Brasil (3,12) e Sena Madureira (3,38) registram os menores índices de disponibilidade e qualificação de mão de obra.

Na dimensão financeira, Brasiléia (12,85) e Tarauacá (12,72) lideram a percepção empresarial sobre acesso ao crédito e serviços financeiros, superando a média estadual de 10,18. O pior desempenho pertence a Mâncio Lima, com apenas 6,29 pontos.

Os pesquisadores observam que os gargalos estruturais identificados pelas empresas são recorrentes: infraestrutura logística deficiente, dificuldade de acesso ao crédito, baixa qualificação profissional, reduzida capacidade de inovação e forte dependência do setor público. Ao mesmo tempo, o Acre reúne vantagens competitivas importantes, como elevada cobertura florestal, posição estratégica na fronteira com Peru e Bolívia e potencial para atividades ligadas à bioeconomia, cadeias agroflorestais, turismo sustentável e mercados de carbono.

O estudo também apresenta cenários para o futuro da economia acreana. No cenário otimista, investimentos em logística, integração bioceânica, expansão do crédito, fortalecimento da bioeconomia e aproximação entre universidades, empresas e governo poderiam reduzir custos, ampliar a competitividade e gerar empregos qualificados. No cenário crítico, porém, a combinação de eventos climáticos extremos, restrições fiscais, isolamento logístico e ausência de políticas coordenadas tende a ampliar a informalidade, reduzir investimentos e comprometer a competitividade estadual.

Na avaliação dos autores, o ambiente de negócios do Acre não está em colapso, mas exige intervenções estruturantes para elevar a produtividade e reduzir as diferenças entre os municípios. O relatório conclui que o fortalecimento da infraestrutura, a formação de mão de obra qualificada e, principalmente, a criação de um ecossistema de inovação são as medidas mais urgentes para que o estado consiga transformar seu potencial econômico em crescimento sustentável.

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