Valterlucio Campelo
Colunista Valterlucio Bessa Campelo escreve nesta sexta, sobre a reciprocidade tem hora

Nesta quinta-feira, dia 05 de agosto, na companhia do Senador Rogério Marinho (RN), o candidato à presidência pelo PL, Senador Flavio Bolsonaro, listou e fez referências aos candidatos que apoia em cada Estado da federação onde a decisão está tomada. É uma etiqueta de bolsonarismo, já que as principais legendas do centrão – PP, União Brasil, PSD e PR – evitaram engajamento formal, lançaram suas próprias candidaturas à presidência ou liberaram seus membros na base do “se virem em seus estados conforme a conveniência”.
Pois bem. AQUI, aos 12 minutos, Flavio Bolsonaro cita seus apoios no Acre e diz textualmente que sua candidatura apoia a reeleição de Marcio Bittar pelo PL e a eleição de Mara Rocha pelo PR. Dito isso, passou adiante e não mencionou apoio à nenhuma chapa ao governo.
Segundo informações do advogado e articulista dos bons, Edinei Muniz, justamente às 18:59 horas de 05 de agosto de 2026, coincidentemente com a Live do Flavio Bolsonaro, a aliança estadual do União Progressista e outros partidos com o PL, RETIFICOU a sua ata de convenção para RETIRAR o apoio ao candidato Flávio Bolsonaro. Vingança? Reciprocidade? Impulso? Burrice? Tudo isso junto? Sabe-se lá. O certo é que a tal retificação foi executada e Flávio Bolsonaro não conta mais com o apoio formal da Mailza.
O cerne da questão, que existe, é outro. Desde sempre, sabe-se que para o PL, especialmente em estados pequenos, importa a eleição de senadores alinhados com o projeto da direita, de recuperação do Estado, hoje nas mãos ímpias de um grupo que transita entre ideias socialistas mofadas do século XX e ideias progressistas fragmentadas e multicoloridas do século XXI. Considerando-se que ao eleitorado do Acre representa 0,4% do eleitorado brasileiro, não é isso que conta, mas sim o 1/27 avos dos senadores.
De qualquer modo, Flávio Bolsonaro terá, segundo as estimativas mais modestas, uns 65% dos votos úteis no Acre. Sendo assim, o efeito Coattail (é aquele em que um candidato “puxa” outro) vai para quem ele apoia, e não vai para aquele que ele não apoia (desculpem, mas às vezes é preciso desenhar). Em muitos casos pode ser decisivo estar ao lado do Flávio Bolsonaro.
Alguém me disse que Gladson Cameli esperava esse apoio. Jura? Como poderia Flavio Bolsonaro, com a mídia brasileira inteira em seu calcanhar procurando um passo em falso, declarar nacionalmente apoio a um candidato que consta como inelegível e condenado por corrupção? Como poderia deixar de apoiar a Mara Rocha, candidata claramente bolsonarista, antipetista, filiada ao PR que em Convenção afirmou seu apoio ao próprio Flávio? Como poderia declarar apoio a uma chapa ao governo se as outras duas também merecem, por adesão, a mesma reverência?
Considerando que a Mailza retirou o apoio ao Flávio (mesmo que venha retificar a retificação da Ata), Alan Rick, que já havia declarado apoio firme ao Flávio, expresso em Ata da Convenção, comemora que sua candidata preferencial ao senado, Mara Rocha tenha o apoio recíproco. Além disso, se Flávio não declara seu apoio ao Alan, também não declarou ao adversário – Mailza Assis, ou seja, sem candidato preferencial no Acre, com um candidato ao senado em cada canoa, o bolsonarismo não tem dono, embora se reconheça no senador Marcio Bittar a titularidade do carimbo, posto que é presidente e candidato do PL – partido do Flávio, seu amigo pessoal.
Com a palavra os responsáveis pelos fatos. Vai a Mailza desenvolver uma campanha sem candidato à presidência? Não vai ter Flávio da propaganda? Coabitarão PL-bolsonarista e União Progessista-cada um se vire? O desapoio da Mailza se estenderá ao senador Marcio Bittar? Quantos governistas-bolsonaristas migrarão para Alan Rick que não deixa dúvidas sobre o lado em que está? Haverá espaço para uma campanha NEM-NEM? Se vier ao Acre, em qual palanque da sucessão estadual subirá Flávio Bolsonaro?
E estamos apenas começando…
Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP










