A Prefeitura de Cruzeiro do Sul, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, está com todas as unidades de saúde do município abastecidas com as vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) para prevenção à meningite. Atualmente, o esquema vacinal contra meningite ofertado pelo SUS começa ainda na infância, com a vacina meningocócica aplicada aos 3 e 5 meses de idade. O reforço é realizado aos 12 meses com a vacina meningocócica ACWY. Já os adolescentes de 11 a 14 anos também recebem a dose de reforço da ACWY.
Além da vacina meningocócica, o SUS também disponibiliza a vacina pneumocócica, importante na prevenção de doenças causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, incluindo alguns tipos de meningite bacteriana. A vacina integra o calendário infantil, sendo aplicada aos 2 e 4 meses, com reforço aos 12 meses.
A vacina também é disponibilizada para grupos específicos com maior risco de complicações, como idosos, pessoas com doenças crônicas, pacientes imunossuprimidos, pessoas com doenças cardíacas, respiratórias, renais, diabetes, além de pacientes em tratamento contra câncer ou com outras condições clínicas especiais, conforme avaliação médica e critérios do SUS. Na última campanha realizada pelo município, na área do mercado municipal, essa vacinação foi aberta para população em geral.
De acordo com a coordenadora de imunização do município, Thayana Felix, a atualização da caderneta vacinal é fundamental para garantir proteção contra diversas doenças, especialmente as meningites bacterianas, que podem evoluir para quadros graves.
“A população precisa entender a importância de manter a caderneta de vacinação atualizada. A vacina é a principal forma de prevenção contra várias doenças, inclusive a meningite. Todas as vacinas disponíveis pelo SUS estão sendo ofertadas em nossas unidades de saúde”, destacou Thayana.
Segundo Thayana Felix, todas as unidades urbanas estão abastecidas e realizam vacinação nos turnos da manhã e tarde. Já as unidades da zona rural funcionam no período da manhã, garantindo o acesso da população à imunização.
“A vacina não é 100% eficaz, mas ela oferece cerca de 95% de proteção e ajuda a reduzir a gravidade da doença caso a pessoa venha a ser infectada”, afirmou.
“A vacina não é 100% eficaz, mas ela oferece cerca de 95% de proteção e ajuda a reduzir a gravidade da doença caso a pessoa venha a ser infectada”, afirmou.
Para receber a dose, é necessário apresentar documento pessoal, cartão do SUS e a caderneta de vacinação. Apesar dos esforços da Secretaria de Saúde, Thayana avalia que ainda existe resistência de parte da população em relação à vacinação.
“Muitas vezes precisamos quebrar tabus e conscientizar as pessoas. Algumas ainda acreditam em informações equivocadas sobre vacina. Infelizmente, em muitos casos, a procura só aumenta quando surge alguma situação de alerta”, comentou.
A coordenadora estadual de imunização, Renata Aparecida Quiles, reforçou que o calendário vacinal do SUS contempla diferentes vacinas que ajudam na prevenção de meningites causadas por diversos agentes infecciosos.
“Nem toda meningite é causada pela mesma bactéria. O SUS possui vacinas que protegem contra diferentes tipos da doença, como a meningocócica, a pneumocócica e outras vacinas do calendário infantil que também ajudam na prevenção das formas graves de meningite. No caso do Streptococcus pneumoniae, a proteção ocorre através da vacina pneumocócica, prevista para crianças aos dois e quatro meses, com reforço aos 12 meses, podendo ser atualizada em crianças menores de cinco anos com atraso vacinal”, explicou.
O que é meningite e quais os sintomas e cuidados
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que revestem e protegem o cérebro e a medula espinhal. A doença pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos. A transmissão ocorre principalmente por meio de secreções respiratórias, em situações de contato próximo e prolongado com uma pessoa infectada.
Os principais sintomas incluem febre, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas, vômitos, convulsões, manchas avermelhadas na pele e alterações no estado geral. Em crianças, os sintomas também podem incluir irritabilidade, sonolência excessiva e dificuldade para se alimentar.
A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é que, ao apresentar qualquer um desses sintomas, a população procure imediatamente uma unidade de saúde para avaliação médica, destacou a coordenadora de Vigilância Epidemiológica de Cruzeiro do Sul, Maria Rafaela de Oliveira Costa.
Entre as medidas preventivas estão a higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool 70%, a utilização da etiqueta respiratória, cobrindo boca e nariz ao tossir ou espirrar, a manutenção de ambientes ventilados e a atualização da caderneta vacinal.
Caso confirmado em Cruzeiro do Sul
A Secretaria Municipal de Saúde confirmou na segunda-feira, 18, um caso de meningite bacteriana em uma criança em idade escolar, residente em Cruzeiro do Sul. O caso foi identificado como meningite causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae.
Segundo a coordenadora de Vigilância Epidemiológica, Maria Rafaela de Oliveira Costa, o tipo da bactéria identificada não exige quimioprofilaxia dos contatos, conforme os protocolos do Ministério da Saúde, por não ser comum causar surtos, especialmente em ambiente escolar. Por esse motivo, também não houve recomendação para suspensão das aulas.
A Secretaria Municipal de Saúde informou ainda que equipes se deslocaram até a instituição de ensino para orientar a comunidade escolar e seguem monitorando a situação.
Rafaela ressaltou ainda que até esta segunda-feira, 19, o município registrou nove notificações de meningite. Desse total, três casos foram descartados e seis confirmados, incluindo o caso mais recente divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde.
Entre os casos confirmados estão duas crianças, sendo uma de seis meses e outra de sete anos, além de adultos com idades entre 31 e 43 anos e um idoso de 66 anos. Rafaela explicou ainda que a Vigilância Epidemiológica realiza o monitoramento contínuo da situação no município, acompanhando e investigando os casos confirmados, além de orientar sobre as medidas de controle e prevenção da doença.