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GOSPEL

Como o cristão deve se comportar em relação ao voto?

Em tempos de polarização política, veja as orientações sobre o uso apropriado do exercício da cidadania, por meio do voto entre cristãos

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Em tempos eleitorais, aquilo que deveria ser tratado com prudência e responsabilidade moral frequentemente se transforma em motivo de divisão na igreja e na família. Discussões políticas têm rompido amizades, produzido hostilidade entre irmãos e desgastado a comunhão cristã. O problema não está no ato de votar, mas em permitir que preferências políticas ocupem um espaço que pertence à fé, à missão e ao testemunho.

Nesse contexto, os seguintes conselhos da profetisa, autora e cofundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Ellen White, são especialmente relevantes, porque corrigem tanto a omissão irresponsável quanto o partidarismo agressivo.

Ao tratar da questão do voto, Ellen White não ensina que o cristão deve se afastar automaticamente de toda participação pública. Em um contexto em que se discutia se os observadores do sábado deveriam votar, ela relata que alguns irmãos entenderam ser melhor “pôr sua influência a favor do direito e contra o erro”. E acrescenta: “Eles acham que é direito votar em favor dos homens defensores da temperança governarem em nossa cidade, em vez de, por seu silêncio, correr o risco de serem eleitos homens intemperantes”. Aqui aparece um princípio importante: quando há questões morais envolvidas, o cristão não precisa se omitir passivamente.

Contexto importante

O contexto dessa fala ajuda a compreender melhor seu sentido. A temperança era uma causa moral de grande relevância no século XIX, especialmente por causa dos males provocados pelo alcoolismo na vida pessoal, familiar e social. Portanto, Ellen White não está incentivando militância partidária, mas reconhecendo que, em certas circunstâncias, o voto pode ser um ato de responsabilidade moral. O ponto central não é a defesa de partidos, mas o dever de agir “no temor de Deus”.

Contudo, o fato de o cristão poder votar não significa que ele deva transformar sua escolha em propaganda pública. Ellen White adverte: “Sejam quais forem as opiniões que tenhais em relação a dar o vosso voto em questões políticas, não as deveis proclamar pela pena ou pela voz. Nosso povo deve silenciar acerca de questões que não têm relação com a terceira mensagem angélica”. O conselho é claro: o voto pode ser um ato legítimo de consciência, mas não deve se tornar bandeira pública no meio do povo de Deus, especialmente interferindo na pregação do evangelho.

Esse princípio corrige um erro comum: muitos não se contentam em escolher; sentem necessidade de anunciar, defender e exibir sua posição política. Quando isso acontece, a igreja perde foco espiritual. O que é secundário começa a competir com o que é essencial. Ao invés de a comunidade girar em torno de Cristo, da verdade e da missão, passa a girar em torno de candidatos, preferências e disputas humanas.

Responsabilidades individuais

Ellen White vai ainda além: “Mantende secreto o vosso voto. Não acheis ser vosso dever insistir com todo o mundo para fazer como fazeis”. Aqui, o princípio é inequívoco: o cristão não deve pressionar outros a votar como ele. O voto pertence à esfera da consciência individual diante de Deus, não ao controle de um irmão sobre a consciência do outro. Cada pessoa deve decidir com responsabilidade moral, oração e temor, mas ninguém recebe autorização para transformar sua escolha em régua espiritual para julgar ou constranger os demais.

Se esses princípios fossem respeitados, muitos males na igreja seriam evitados. Haveria menos discussões inúteis, menos divisões, menos ressentimentos e menos desgaste entre irmãos e familiares. Ellen White ensina um caminho de equilíbrio: o cristão pode votar segundo princípios, mas deve fazê-lo com discrição, sem publicizar sua escolha e sem tentar impor sua decisão aos outros. Isso preserva a consciência, protege a unidade da igreja e impede que a política ocupe um espaço que pertence somente a Deus.

No fim, a pergunta decisiva não é apenas em quem votar, mas como viver o período eleitoral de maneira cristã. A resposta bíblica continua sendo a mesma: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10:31). Também no processo eleitoral, o adventista deve agir não movido pela paixão política, mas pela glória de Deus.

Referência:

  1. WHITE, Ellen G. Mensagens escolhidas. 4. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2000. v. 2, páginas 336 e 337.
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