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Instituto São José: 68 anos de tradição, legado educacional e reconstrução após tragédia que marcou o Acre

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A história do Instituto São José se entrelaça com a própria formação educacional de Rio Branco. Fundado oficialmente em 1º de maio de 1958, quando o Acre ainda vivia os últimos anos como Território Federal, o educandário nasceu com a missão de oferecer formação intelectual, moral e religiosa a gerações de acreanos.
A criação da escola foi idealizada por Madre Evangelista Simonatto, integrante da congregação Servas de Maria Reparadora, que chegou ao Brasil na década de 1940 com a missão de expandir a atuação educacional católica na Amazônia.
Antes de assumir a implantação da unidade em Rio Branco, Madre Evangelista atuou em Xapuri, onde dirigiu o Colégio Divina Providência. Reconhecida pelo rigor pedagógico e pela dedicação à formação cristã, foi enviada à capital acreana para estruturar uma nova referência de ensino em uma cidade que ainda dava seus primeiros passos em expansão urbana e organização educacional.
Instalado na tradicional Rua Floriano Peixoto, nº 722, no centro da capital, o Instituto São José começou suas atividades oferecendo cursos voltados ao ensino de corte, costura e prendas domésticas, prática comum à época e considerada importante instrumento de emancipação e qualificação feminina.
Ainda naquele mesmo ano, a escola recebeu autorização oficial da então Secretaria de Educação e Cultura para funcionar como instituição regular de ensino, iniciando sua trajetória de crescimento e consolidação no estado.

Ao longo das décadas de 1960 e 1970, acompanhando o desenvolvimento urbano de Rio Branco e a transformação do Acre em estado, em 1962, o Instituto São José ampliou sua estrutura física, fortaleceu seu projeto pedagógico e passou a ofertar novas etapas de ensino.
A proposta educacional baseada em disciplina, excelência acadêmica e valores humanistas fez da escola uma das instituições mais respeitadas da rede privada acreana.
Milhares de estudantes passaram por suas salas de aula. Entre ex-alunos, estão profissionais liberais, empresários, médicos, advogados, professores, servidores públicos e lideranças sociais que ajudaram a construir a história do Acre.
O nome de Madre Evangelista permanece como símbolo desse legado. Mesmo enfrentando problemas de saúde, ela liderou pessoalmente os primeiros anos da instituição até precisar deixar o estado para tratamento médico. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1963, aos 48 anos, deixando uma contribuição histórica para a educação acreana.
Por quase sete décadas, o Instituto São José se consolidou como patrimônio afetivo e educacional de Rio Branco, reconhecido não apenas pelo ensino, mas pelo vínculo com famílias acreanas que atravessaram gerações dentro de seus corredores.
Esse legado, no entanto, foi brutalmente atingido no dia 5 de maio de 2026, quando a escola viveu a maior tragédia de sua história.
Naquela tarde, um estudante de 13 anos entrou armado na unidade e efetuou disparos dentro da instituição. O ataque resultou na morte das servidoras Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 36 anos.


Outras duas pessoas ficaram feridas: uma aluna de 11 anos, baleada na perna, e uma coordenadora da escola, atingida no pé. Ambas foram socorridas e receberam alta hospitalar.
O episódio provocou comoção nacional, mobilizou forças de segurança, equipes médicas, psicólogos, autoridades educacionais e resultou na suspensão das aulas em toda a rede pública e privada do Acre como medida preventiva.
Mesmo após o prazo inicialmente previsto para o retorno das atividades, o Instituto São José decidiu manter as aulas suspensas para reorganização interna e acolhimento da comunidade escolar.
Segundo a irmã Irmã Augusta, responsável pela direção da escola, a retomada das atividades ocorrerá de forma gradual.
Em entrevista ao jornalista Whidy Melo do ac24horas, ela explicou que a instituição realizou reuniões com funcionários e responsáveis ao longo da semana e promoveu planejamento pedagógico para garantir segurança emocional e estrutural no retorno.
“Vamos iniciar as aulas. Estamos realizando reuniões com os funcionários, já realizamos segunda-feira. Ontem realizamos reunião com os pais. Estamos dando continuidade hoje com as reuniões dos pais. Amanhã e depois, quinta e sexta, teremos planejamento com os professores para, a partir de segunda-feira, de maneira gradativa retornar. Fiquem tranquilos, nós vamos retornar às nossas atividades na escola”, afirmou.


A direção também confirmou reforço nos protocolos de segurança, incluindo controle mais rigoroso de acesso à unidade.
Um funcionário da escola destacou que o processo de prevenção também exige participação ativa das famílias. “A maior segurança dos alunos e dos nossos funcionários está no ambiente de casa dos alunos, quando o pai olha a mochila do filho, quando conversa com o filho e com os professores para saber como anda o ambiente escolar”, relatou.
O retorno gradual marca um momento de reconstrução para uma instituição que, ao longo de 68 anos, ajudou a moldar a história educacional acreana. Mais do que um prédio no centro da cidade, o Instituto São José representa memória coletiva, tradição e resistência.

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