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Papa aos cardeais: “preciso do apoio de vocês” peço franqueza e lealdade
Bianca Fraccalvieri – Vatican News
“Como podemos ajudar hoje nossas Igrejas a anunciar o Evangelho com maior fidelidade, liberdade e credibilidade?” Esta foi a pergunta que Leão XIV dirigiu aos cardeais reunidos para o Consistório Extraordinário, em andamento no Vaticano.
Depois da Santa Missa na Basílica Vaticana, o Pontífice fez seu discurso de abertura na Sala Paulo VI, afirmando que a missão não é uma das muitas tarefas da Igreja, mas sua razão de ser. E é por isso, que se torna também o critério que orienta o discernimento.
Aprende-se caminhando, ressaltou o Santo Padre, explicando os quatro temas “profundamente interligados” que guiarão os trabalhos que hoje se iniciam. Não somos guardiões de interesses particulares, recordou, mas “discípulos e testemunhas do Reino de Deus, chamados a ser, em Cristo, fermento de fraternidade universal”.
Quatro temas que convergem na missão da Igreja
O primeiro tema, portanto, é contemplar o mundo no qual a Igreja é chamada a anunciar o Evangelho. Antes de se questionar o que fazer, afirmou, é preciso deter-se diante da realidade, olhando-a com os olhos da fé e deixando-nos questionar pela escuta dos irmãos. Jesus habita os lugares de nossa vida cotidiana, e a Igreja é chamada a reconhecer a sua presença.
O segundo tema é a reflexão sobre a cultura do poder e a civilização do amor. “Muitos de vocês vêm de terras marcadas pela guerra, pela violência, pela polarização social ou religiosa. Mas nenhum de nós está alheio às muitas formas de conflito, de opressão e de divisão que hoje atravessam nossas sociedades. Por isso, o discernimento que somos chamados a realizar diz respeito a todos e interpela a missão da Igreja em todos os contextos.”
Leão XIV indicou a Encíclica “Magnifica humanitas”, que pode oferece chaves de interpretação para este tempo. Ao Papa, interessa saber como essas páginas ressoam nas Igrejas particulares, através dos questionamentos suscitados, das perspectivas abertas e dos passos sugeridos.
O terceiro tema é justamente o aprofundamento desta Encíclica, questionando-se sobre a contribuição que a Igreja pode oferecer para a construção do bem comum. “Vivemos em uma época em que cresce a tentação da fragmentação e os interesses particulares prevalecem com facilidade. A Doutrina Social da Igreja nos lembra que o bem comum não surge espontaneamente, mas exige responsabilidades compartilhadas.”
Para a Igreja, acrescentou, isso se traduz num estilo sinodal a serviço da missão do Reino, em que as decisões são tomadas e as responsabilidades exercidas, com transparência, avaliação e corresponsabilidade.
Já o último tema diz respeito à implementação do Sínodo. “Diante das feridas do mundo, da construção do bem comum e da missão da Igreja, a sinodalidade indica um modo de proceder: ouvir, discernir e assumir juntos a responsabilidade pelas escolhas que o Senhor nos confia. A sinodalidade não é, antes de tudo, um conjunto de procedimentos; como já tive oportunidade de dizer várias vezes, a sinodalidade é uma atitude, uma abertura, uma disposição para compreender.”
Não se trata de uma diminuição da autoridade; pelo contrário, ajuda a compreender mais profundamente o seu significado, que existe para guardar a comunhão, favorecer a participação de todos e orientar o caminho comum da Igreja.











