RAIMUNDO FERREIRA
Sobre o Dia das Mães, professor Raimundo Ferreira escreve em sua colunista deste sábado: Qual o preço do seu amor?

QUAL O PREÇO DO SEU AMOR?
Pelo visto, o amor está no ar. Além dos apelos pela imprensa em geral, até os outdoors estão anunciando que as vossas mães – aqui no Nordeste as mainhas -, precisam ser amadas. Pode ser com um amor menor — uma chapinha para alinhar as madeixas —, ou com um amor maior — uma máquina de lavar, uma geladeira, um celular de última geração —, ou, quem sabe, ainda um amor supergrandioso: um carro do ano.
Não é de se espantar que exista uma estratégia intencional, ou melhor, uma armação proposital, mesmo porque esse esquema ilusório já virou tradição anual no comércio. O que realmente nos causa espanto é que as pessoas de todos os credos, de todos os níveis de conhecimento e também de todas as classes sociais embarcam de cabeça nessas ondas consumistas todos os anos: Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia dos Namorados, Dia das Crianças e, ainda, o apelo mais forte e agressivo das festas de final de ano.
Quando afirmamos que o povo vive de ilusão, pode até soar como agressão ou insensibilidade para alguns. Mas reflitam bem e nos respondam: prestigiar ou não essas datas tem realmente a ver com a afetividade para com nossos entes queridos? Quem não pode comprar um presente para sua mãe, seu pai, seu namorado(a) ou seu filho é alguém desalmado ou de má índole?
Acreditamos que não. Podemos até estarmos enganados.
Todavia, alguém pode argumentar que isso já virou tradição e, por essa razão, essas pessoas, especialmente as crianças, esperam avidamente pelo presente e relacionam o não recebimento desses mimos a uma atitude de desamor, desconsideração e desrespeito.
Na verdade, essa é a razão maior, ou melhor, o gancho que o comércio encontrou para estimular o consumo. Muitas pessoas são conscientes dessa situação, mas infelizmente, nada podem fazer. De qualquer modo, achamos oportuno evidenciar essa situação e, como sempre acontece com as causas aparentemente impossíveis, a esperança é o último reduto que nos serve de alento. Quem sabe, em algum momento, aconteça a mudança de hábito, ou melhor, aconteça uma conscientização cultural e o povo desperte para essa artimanha do comércio, e as relações entre as pessoas da família e até entre amigos, não sejam mais medidas e avaliadas em função de um mimo que se possa receber em uma determinada data.













