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Valterlucio Campelo

Valterlucio Campelo atualiza coluna: Não precisamos de mártires

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Não precisamos de mártires.

Valterlucio Bessa Campelo

Uma das patifarias mais comuns nestes dois dias depois que Flávio Bolsonaro exilou-se nos EUA, é a de que ele deveria ter ficado e enfrentado a “justiça”. Repetem como asnos que são: “quem não deve, não teme”. É mesmo, santa? Vá dizer isso aos milhares de mártires da história, que confiando no sistema foram levados à crucificação, ao cadafalso e ao paredão.

Depois que o resultado proclamado contrariou todas as pesquisas, a matemática, a estatística, a ciência política e a lógica, veio, incontinenti, uma ordem de apreensão de passaporte de Flávio Bolsonaro – uma cautelar que normalmente precede um mandado de prisão. Deveria Flávio Bolsonaro abnegar-se entregar-se ao martírio do cárcere e ficar politicamente submetido à chantagem permanente?

Não e não. Basta de mártires. As prisões e tornozeleiras já castigam demasiado os que se voltam contra a ditadura vestida de negro que se impôs no Brasil pelo conluio de maus brasileiros. Não precisamos de mais ninguém sendo preso e exposto à opinião pública como troféu de uma vitória malsã. 

E agora? nos perguntamos entre nós, brasileiros inseguros. Para decepção da esquerdalha fraudadora, o trunfo que tinham para chantagear o congresso escapou. O PL e aliados certamente elegerão o novo presidente do Congresso e, a partir daí, a população terá mais elementos para acreditar em uma reação orgânica ao desgoverno que tem tudo para se fundar em suas próprias falsidades. 

Não precisou de mais que um dia para o Lula da Silva começar a desfazer suas promessas. Com semblante desmilinguido, seu ministro da fazenda surgiu nesta terça-feira falando em equilíbrio das contas, em contenção de gastos e medidas contraditórias às promessas do malandro. Sabe o PIX dos MEIs? Foi pro espaço. Sabe a jornada 5 x 2? Não é bem assim. O próprio TCU veio dizer que NÃO HÁ ORÇAMENTO para os gastos prometidos. Vai pedalar?

Lula enfrentará um vendaval. Perda de apoio popular por promessas não cumpridas, crise fiscal, instabilidade econômica, dívida pública na estratosfera, juros altos… tudo isso em ambiente de crise política que é justamente o contrário do que precisaria haver para encaminhamento de uma gestão minimamente consequente. O horizonte é sombrio, a posse de lula cobrará da sociedade brasileira um preço altíssimo.

O presidente do senado, Davi Alcolumbre, inebriado pelo poder e em defesa de suas próprias iniquidades, quer por todos os modos permanecer dando as cartas no Congresso. Para isto, sinaliza até com uma manobra segundo a qual, viabilizaria a anistia e a libertação de Jair Bolsonaro, o que só poderia ser prometido em acordo com aquela banda do STF. Sim, eles topariam, pois assim manteriam engavetados todos os pedidos de impeachment que foram e serão apresentados contra si mesmos. É uma cilada que somente traidores poderiam cogitar.

É preciso, nesta quadra da vida brasileira: a) Empurrar Alcolumbre para fora da presidência e mandá-lo se explicar no conselho de ética para que responda por seus inúmeros desvios; b) Eleger um senador do tipo Rogério Marinho para a presidência do Congresso e reequilibrar os poderes da república; c) Processar o impeachment de pelo menos 2 do supremo; d) Realizar uma reforma do judiciário protegendo a república de abusos do STF; e) Aprovar um projeto de implantação da cédula-testemunha de votação e um teste de conformidade paralelo à apuração eletrônica.

Além disso, a luta política. Nos próximos dias, a partir dos EUA, Flávio Bolsonaro deve exibir para o mundo as manobras ilegais do lulopetismo nestas eleições. Os indícios são abundantes, a matemática, a estatística, a lógica e a ciência política foram destruídas por um acaso que produziu em algumas horas, um resultado improvável. Auditar? Impossível. O sistema está protegido contra a verificação dos dados reais.

O que o governo americano vai fazer ainda é uma incógnita. Donald Trump é imprevisível e há muitos interesses em jogo. Precisamos aguardar os próximos passos, entender o sentido estratégico adotado pela política americana e, só então, fazer alguma análise. O que se pode dizer é que Flávio e sua família terão vistos americanos e ele poderá atuar de lá para cá, com a autoridade de 60 milhões de votos, espalhando pelo mundo a verdadeira natureza do regime no Brasil. Nessas circunstâncias, melhor Flavio Bolsonaro permanecer como combatente exilado, participando e endossando as movimentações no Brasil, do que encarcerado como troféu do regime. 

Precisamos estar vigilantes quanto à trairagem que costuma acontecer em circunstâncias como essa. Nossos senadores devem estar sendo acossados com abordagens que vão de dinheiro vivo a cargos e posições estratégicas. Alguns que tenham algo a temer da justiça estão sendo ameaçados e assim por diante. Precisamos de brio. Não esmorecerá quem tem a verdade como norte e Deus no coração.

Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor  PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP

 

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