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Advogada inicia caminhada entre Epitaciolândia e Xapuri em protesto à ditadura do ICMBio na Resex Chico Mendes

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A advogada Raimunda Queiroz iniciou nesta quinta-feira (14) uma caminhada de protesto entre Epitaciolândia e Xapuri, pela BR 317, para denunciar o que classifica como abandono do governo federal e endurecimento das ações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) contra moradores da Reserva Extrativista Chico Mendes. Até às 19h, o percurso já somava 20 quilômetros.
A previsão é de que a mobilização chegue a Xapuri no sábado (16), coincidindo com um grande encontro organizado por lideranças políticas, comunitárias e representantes de associações rurais. O ato pretende reunir moradores da reserva, produtores e apoiadores da pauta fundiária no Clube João Jorge, a partir das 9h.
A caminhada se transformou em símbolo da insatisfação crescente de famílias que vivem na Resex e denunciam insegurança jurídica, multas ambientais, embargos e notificações de despejo emitidas pelo ICMBio. Segundo os organizadores, milhares de moradores enfrentam risco de expulsão em razão das regras atuais do Plano de Uso da unidade de conservação.
De acordo com Raimunda Queiroz, o modelo atual imposto à reserva tornou inviável a sobrevivência econômica das famílias ao limitar a produção praticamente ao extrativismo tradicional.

A advogada sustenta que cerca de 70% dos moradores estariam hoje em situação considerada irregular dentro da própria reserva. A principal crítica recai sobre o plano de manejo aprovado ainda em 2006 e que, segundo ela, jamais foi atualizado para refletir a realidade social e econômica das comunidades.
Outro ponto central da mobilização é a defesa da regularização de aproximadamente 98 mil hectares já abertos dentro da Resex, área que representaria menos de 10% da extensão total da reserva. Os manifestantes argumentam que a pequena pecuária se tornou alternativa essencial de subsistência diante da crise do extrativismo.
Os organizadores também criticam operações de fiscalização realizadas por satélite e notificações que determinam prazos de até 30 dias para desocupação das propriedades. Para os moradores, o modelo adotado pelo governo federal ignora décadas de ocupação tradicional e empurra famílias inteiras para a marginalização social.
Raimunda Queiroz afirma ainda que assumiu a defesa jurídica de produtores em situação extrema, como o senhor Clerson e dona Raimunda, que juntos acumulam 846 autos de infração ambiental. Parte dos processos já tramita na Justiça e pode resultar em expulsões definitivas.
Durante o encontro em Xapuri, a advogada pretende apresentar proposta de mudança na categoria da unidade de conservação ou alteração profunda das regras atuais, com o objetivo de garantir permanência das famílias e direito à produção de pequena escala.
O evento terá participação confirmada do senador Márcio Bittar, além do ex-prefeito de Epitaciolândia, Sérgio Lopes, vereadores de Xapuri e representantes de associações rurais do Acre.
Com o slogan “Juntos somos mais fortes! Em defesa da floresta, do povo e do futuro!”, a mobilização tenta ampliar a pressão política sobre o governo federal em meio ao aumento dos conflitos fundiários e ambientais na Reserva Extrativista Chico Mendes.

Uma caminhada de lutas e enfrentamento à ditadura do ICMbio

AcreNews: Raimunda, a senhora iniciou uma caminhada de Epitaciolândia a Xapuri e já havia percorrido 20 quilômetros às 19h de quinta-feira. Qual é o simbolismo desse sacrifício físico para a causa que defende?

Raimunda Queiroz: O simbolismo é de resistência. Não estou apenas caminhando; estou carregando o grito de 12 mil pessoas que vivem na invisibilidade e sob medo constante. É um protesto contra a atuação do Estado. Se o poder público não vai até a reserva para ver a realidade, eu vou a pé até o centro de Xapuri para dizer que o povo da floresta não aceita mais ser retirado de sua própria história.

AcreNews: A senhora afirma que o atual Plano de Uso da Reserva deixa 70% dos moradores em situação de irregularidade. Onde está o principal problema?

Raimunda Queiroz: O problema está na distância entre Brasília e a realidade do Acre. O plano de manejo de 2006 está defasado e ignorou as mudanças vividas pelas famílias. Hoje, exigem que essas pessoas sobrevivam apenas do extrativismo, mas isso já não sustenta mais as comunidades. O plano foi enviado para Brasília e nunca voltou com as adequações necessárias. O resultado é que o morador acaba tratado como criminoso por tentar sobreviver.

AcreNews: Um dos pontos mais polêmicos é a criação de gado. Por que defender a pecuária dentro de uma Reserva Extrativista?

Raimunda Queiroz: Não defendemos desmatamento predatório. O que defendemos é a regularização dos 98 mil hectares que já estão abertos, o que representa menos de 10% da área total da Resex. O gado funciona como uma espécie de reserva financeira para o pequeno produtor. Proibir a criação enquanto o extrativismo perde força é empurrar essas famílias para a pobreza ou para as periferias urbanas.

AcreNews: Sobre o ICMBio, a senhora mencionou notificações de expulsão com prazo de 30 dias. Como está a situação das famílias?

Raimunda Queiroz: A situação é de desespero. Imagine uma família que vive há anos em uma área receber um documento determinando a saída em 30 dias. Temos casos como o do senhor Clerson e dona Raimunda, que enfrentam mais de 800 autos de infração. Eles me procuraram porque já não sabem mais a quem recorrer. O órgão ambiental aplica multas elevadas e embargos por satélite sem oferecer alternativas de regularização ou amplo direito de defesa.

AcreNews: Qual é o principal objetivo do Projeto de Lei que a senhora pretende mostrar durante a manifestação deste sábado?

Raimunda Queiroz: O objetivo é garantir segurança jurídica para essas famílias. Precisamos mudar o status da reserva ou promover alterações profundas nas regras de uso. A proposta busca assegurar a permanência dos moradores, o direito à pequena produção e o fim das expulsões arbitrárias. Queremos transformar esse conflito em dignidade para quem vive na floresta.

AcreNews: O que os moradores de Xapuri e da Reserva podem esperar do encontro deste sábado no Clube João Jorge?

Raimunda Queiroz: Podem esperar união. O encontro terá a presença de lideranças regionais para mostrar que essa não é uma luta isolada. Vou chegar no sábado reafirmando que juntos somos mais fortes. Não vamos recuar enquanto a regularização fundiária não avançar e o direito de viver com dignidade na floresta não for respeitado.

 

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