RAIMUNDO FERREIRA
O cuidado de conviver com os parâmetros do politicamente correto é o tema da coluna do professor Raimundo Ferreira

Nada mais significativo na sociedade atual, onde a ideologia implantou, na teoria e na prática, essa famosa nova ordem do politicamente correto, do que a razão lógica desse velho adágio popular que, ao observar alguém em situação de risco ou correndo perigo de acontecer algo ruim, afirma: todo cuidado é pouco; é preciso caminhar como se estivesse pisando em ovos.
As circunstâncias são mais ou menos nessa direção. É como se grande parte da população, especialmente as pessoas com idade mais avançada, que já conviveram com uma forma de relações humanas mais descontraída — para não dizer mais livre —, estivesse tendo que conviver e se adaptar a essa nova ordem.
Em um passado não muito distante, os mal-entendidos, as faltas de consideração e o desrespeito que pudessem ser cometidos — e que merecessem repreensão, tanto por quem se sentia ofendido quanto pela justiça, que poderia autuar e aplicar a devida punição — não se baseavam em suposições, gestos ou palavras, que por sinal, muitas vezes, são até pronunciadas por diversão ou, em alguns casos, ao se discorrer sobre a verdade, muito embora algumas pessoas se sintam incomodadas com essa realidade. Por essa época,
por incrível que pareça, o ambiente e as circunstâncias, pelo que se pode observar, estão favoráveis à implementação dessa nova e moderna forma de relações e convivência. Até as definições e conceitos descritos nos canais oficiais de comunicação, a exemplo da internet, assim como a própria legislação vigente, já incorporaram esses conceitos e os utilizam para enquadrar pessoas que, supostamente, possam ser autuadas por práticas consideradas inadequadas dentro dos parâmetros do politicamente correto.
Por exemplo, é muito comum — e todos somos sabedores disso — que pessoas sejam autuadas por terem cometido o crime de racismo ao destratar alguém por conta da cor da pele. Ao nosso ver, quem comete esse tipo de ato deve ser punido pela prática de preconceito ou discriminação, mas não por racismo.
A definição básica de raça humana remonta ao fato de que viemos do Homo sapiens e que somos uma única raça dentro da espécie humana, com uma única descendência. Não existem subespécies ou “raças” distintas dentro da humanidade; as variações físicas — como cor da pele e tipo de cabelo — são construções sociais e adaptações geográficas superficiais.
Ou seja, todos nós estamos inseridos nessas construções sociais e adaptações geográficas — somos, portanto, uma única raça humana. Seria possível admitir a existência em nosso país, de uma raça preta, uma raça branca, uma raça amarela e uma raça indígena?












