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RAIMUNDO FERREIRA

Coluna do Professor Raimundo: leia a análise ‘Cabeça dura’ desta terça-feira

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CABEÇA DURA
Conforme afirmam alguns adágios populares sobre ações ou situações já consagradas, não vale mais a pena perder tempo contestando aquilo que parece definitivo e cujo status quo permanece imutável. Por exemplo, quando se afirma que não devemos malhar em ferro frio, dar murro em ponta de faca ou, ainda, gastar vela com defunto ruim.
Na ideologia política, especialmente, há pessoas que já se encontram totalmente — e, de certo modo, mesmo sem se reconhecerem como tal — em um estágio avançado de radicalismo. Não mudam mais o voto, não reconhecem defeitos em seu candidato e tampouco são capazes de retroceder e admitir que a outra opção possa reunir qualidades, propostas e alternativas mais conscientes para administrar a coisa pública.
É como se a convicção política deixasse de ser uma escolha racional e passasse a funcionar como uma espécie de compromisso permanente com um lado. A partir daí, qualquer crítica ao seu candidato é interpretada como ataque, enquanto qualquer erro do adversário é utilizado como prova de sua incapacidade.
O problema não está em ter opinião ou defender uma ideologia. Isso faz parte da democracia. O problema começa quando a paixão política impede o indivíduo de enxergar a realidade, reconhecer erros e admitir acertos, independentemente de quem os pratique.
A chamada “cabeça dura” talvez seja justamente isso: a incapacidade de rever conceitos, mesmo quando os fatos insistem em demonstrar que é preciso fazê-lo.
Afinal, mudar de opinião diante de novas evidências não é sinal de fraqueza. Ao contrário, pode ser uma das maiores demonstrações de inteligência, maturidade e honestidade intelectual.

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