CULTURA & ENTRETENIMENTO
Acre foi pioneiro na proteção da capoeira e integra grupo de dez estados com planos de salvaguarda

O Acre está entre os dez estados brasileiros que possuem um Plano de Salvaguarda da Capoeira, instrumento destinado à preservação, valorização e transmissão dessa manifestação cultural às novas gerações. O documento acreano foi lançado em 2018, oito anos antes da validação do plano de Pernambuco, anunciada nesta semana pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A informação consta de uma publicação do Iphan divulgada na quarta-feira (28), após a aprovação do Plano de Salvaguarda da Capoeira de Pernambuco, realizada no dia anterior, em Recife. Com a inclusão do estado nordestino, o número de unidades da Federação com esse instrumento de proteção chega a dez.
Além do Acre e de Pernambuco, integram a relação Bahia, Maranhão, Pará, Paraná, Santa Catarina, Rondônia, Roraima e Rio Grande do Norte.
O Acre está entre os três estados que lançaram seus planos em 2018, ao lado da Bahia e do Maranhão. Os documentos de salvaguarda também foram instituídos no Paraná, em 2019; Pará e Santa Catarina, em 2020; Rondônia, em 2023; Roraima, em 2024; e Rio Grande do Norte, em 2025.
A presença acreana nesse grupo representa o reconhecimento institucional da importância da capoeira como expressão cultural, prática corporal, manifestação musical e instrumento de transmissão de conhecimentos tradicionais.
Reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2008, a capoeira reúne elementos de luta, dança, música, oralidade e ancestralidade afro-brasileira. Sua prática é transmitida principalmente por mestres e contramestres, responsáveis pela formação de novos praticantes e pela preservação dos conhecimentos associados às rodas.
Os planos de salvaguarda são instrumentos de planejamento construídos com a participação das comunidades detentoras do patrimônio cultural. Seu objetivo é identificar necessidades, estabelecer prioridades e orientar ações de valorização, documentação, transmissão de saberes e fortalecimento das manifestações tradicionais.
Diferentemente de uma lei, o plano funciona como referência para a atuação conjunta de capoeiristas, instituições culturais e gestores públicos. Também permite acompanhar políticas existentes e reivindicar a implantação de novas iniciativas.
No Acre, o lançamento do documento em 2018 colocou o estado entre os primeiros a estabelecer diretrizes específicas para a proteção da capoeira. A publicação mais recente do Iphan, entretanto, não apresenta um balanço da execução das ações previstas no plano acreano.
A experiência de Pernambuco, agora incorporada à relação nacional, foi construída por meio de encontros presenciais e consulta pública, com participação de mestres, contramestres e representantes de instituições culturais.
Entre dezembro de 2025 e março de 2026, foram realizados fóruns de discussão em seis municípios pernambucanos: Salgueiro, Arcoverde, Caruaru, Palmares, Igarassu e Recife. As contribuições foram complementadas por uma consulta pública virtual durante abril.
O documento aprovado está organizado em quatro eixos: mobilização social e alcance da política, gestão participativa, difusão e valorização, além de produção e reprodução cultural.
Segundo o Iphan, o plano estabelece orientações para fortalecer políticas públicas e ampliar a participação dos próprios capoeiristas nas decisões relacionadas à preservação de seu patrimônio.
A validação ocorreu em reunião realizada na sede da instituição em Pernambuco, com participação presencial e virtual de representantes da comunidade e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).
Os ajustes apresentados durante o encontro serão incorporados à versão final antes da publicação oficial do documento.
A superintendente de Patrimônio Imaterial da Fundarpe, Jacira França, destacou que o plano permitirá estruturar e ampliar iniciativas culturais já desenvolvidas no estado.
A representante do Iphan em Pernambuco, Lívia Moraes, explicou que o documento também servirá para que a comunidade acompanhe e cobre dos governos municipal, estadual e federal a implementação das ações pactuadas.
A inclusão de Pernambuco amplia para dez o número de estados com planos de salvaguarda da capoeira mencionados pelo Iphan. Desse conjunto, quatro estão na Região Norte: Acre, Pará, Rondônia e Roraima.
O levantamento divulgado em 28 de outubro identifica o Acre como um dos estados que instituíram o instrumento em 2018, mas não informa o número de grupos de capoeira existentes no território acreano nem os recursos destinados à execução do plano estadual.









