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Confiança do consumidor cresce 7,4% em Rio Branco e supera média nacional em 18,8 pontos

A intenção de consumo das famílias de Rio Branco cresceu 7,4% nos últimos 12 meses e alcançou 122,4 pontos em outubro de 2026, resultado 18,8 pontos superior à média brasileira, de 103,6 pontos. Os números foram divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisados pela Fecomércio-AC no Boletim Radar Econômico Acre.
Na comparação com setembro, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) da capital acreana avançou 0,8%, passando de 121,4 para 122,4 pontos. No mesmo período, o indicador nacional recuou 0,8%, evidenciando comportamentos diferentes entre os consumidores locais e o conjunto do país.
A distância de 18,8 pontos significa que o índice de Rio Branco ficou 18,1% acima do resultado nacional em outubro. A capital também apresentou uma evolução positiva ao longo do ano, especialmente a partir de julho, depois de permanecer próxima dos 115 pontos durante o primeiro semestre.
O ICF é calculado mensalmente pela CNC e mede a percepção das famílias sobre emprego, renda, perspectivas profissionais, acesso ao crédito e condições para realizar compras. Resultados superiores a 100 pontos indicam uma avaliação predominantemente favorável.
Entre os sete componentes pesquisados, cinco registraram crescimento em outubro. O principal destaque foi a avaliação do emprego atual, que avançou 1,9% e atingiu 137 pontos.
A perspectiva profissional apresentou crescimento de 1,7%, alcançando 157 pontos, o maior patamar entre os componentes destacados no levantamento.
A percepção sobre a renda atual também permaneceu positiva, com 134,2 pontos e crescimento de 0,7% em relação ao mês anterior.
Os resultados indicam que a avaliação das famílias sobre a estabilidade no emprego, as possibilidades de crescimento profissional e a renda disponível tem sustentado a confiança dos consumidores de Rio Branco.
Apesar do desempenho favorável, a melhora não alcançou todos os aspectos pesquisados. A perspectiva de consumo caiu 1,6%, enquanto a avaliação do acesso ao crédito recuou 0,9%, ficando em 100,9 pontos, praticamente no limite entre satisfação e insatisfação.
A disposição para comprar bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, apresentou a maior variação positiva do mês, de 4,7%. Mesmo assim, o componente permaneceu em 82,8 pontos, abaixo da linha de satisfação.
Para o economista da Fecomércio-AC, William da Silva Pinto, o cenário revela maior confiança das famílias nas condições de trabalho e renda, mas não permite concluir que haverá crescimento imediato das vendas.
Segundo ele, o comportamento do crédito e a cautela com compras de maior valor exigem atenção dos empresários, principalmente na definição de preços, condições de pagamento e estoques para o comércio de fim de ano.
Na comparação entre as sete capitais da Região Norte, Rio Branco apresentou o quarto maior índice de intenção de consumo.
Manaus liderou o grupo, com 131,9 pontos, seguida por Porto Velho, com 126,1, e Belém, com 126 pontos. A capital acreana ficou 9,5 pontos abaixo de Manaus e 3,7 pontos atrás de Porto Velho.
A Fecomércio-AC ressalta que o ICF não mede diretamente o volume de mercadorias vendidas. O indicador acompanha a percepção e a disposição dos consumidores, devendo ser analisado em conjunto com estatísticas de comércio, serviços, emprego e crédito.
Os resultados de outubro integram o Boletim Radar Econômico Acre, elaborado pela Assessoria Econômica da Fecomércio-AC com base nos dados mensais da CNC.
Famílias de menor renda puxam alta do consumo em Rio Branco, mas crédito e compras de maior valor preocupam
As famílias de Rio Branco com rendimento mensal de até dez salários mínimos foram as principais responsáveis pelo crescimento da intenção de consumo em outubro de 2026. Nesse grupo, o indicador avançou 0,9% e chegou a 120,4 pontos, enquanto entre os consumidores com renda superior a dez salários mínimos houve queda de 0,5%, apesar do patamar mais elevado de 140,1 pontos.
Os dados fazem parte da pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisada pela Fecomércio-AC.
A diferença entre os dois grupos alcançou 19,7 pontos em outubro. Embora as famílias de maior renda continuem apresentando avaliação mais favorável sobre suas condições de consumo, foram aquelas com rendimentos de até dez salários mínimos que registraram melhora no mês.
No resultado geral, Rio Branco alcançou 122,4 pontos, crescimento de 0,8% em relação aos 121,4 pontos de setembro. O indicador permaneceu acima da linha de satisfação de 100 pontos.
A análise dos componentes da pesquisa, entretanto, revela que a confiança relacionada ao emprego e à renda não se traduz automaticamente em maior disposição para assumir dívidas ou realizar compras de valor elevado.
O acesso ao crédito foi avaliado em 100,9 pontos, após redução de 0,9% em outubro. O resultado ficou apenas 0,9 ponto acima do limite de satisfação, sinalizando uma percepção menos favorável das famílias sobre as condições de financiamento.
A perspectiva de consumo também apresentou resultado negativo, com recuo mensal de 1,6%.
A maior contradição aparece no indicador que avalia se o momento é adequado para adquirir bens duráveis, categoria que inclui móveis e eletrodomésticos.
Esse componente cresceu 4,7% em outubro, a maior alta percentual entre os sete aspectos pesquisados. Apesar da recuperação, atingiu apenas 82,8 pontos, permanecendo 17,2 pontos abaixo da linha de satisfação.
O resultado sugere que, mesmo diante de avaliações positivas sobre o mercado de trabalho, uma parcela importante dos consumidores continua considerando pouco favoráveis as condições para compras que exigem desembolso maior ou parcelamento.
A percepção do emprego atual alcançou 137 pontos, depois de crescer 1,9% no mês. Já a perspectiva profissional atingiu 157 pontos, com avanço de 1,7%.
A renda atual também apresentou avaliação favorável, de 134,2 pontos, com crescimento de 0,7%.
A diferença entre a perspectiva profissional, de 157 pontos, e a avaliação do momento para compra de bens duráveis, de 82,8 pontos, chegou a 74,2 pontos.
Esse contraste mostra que a confiança no futuro profissional é consideravelmente maior do que a disposição para realizar compras de maior valor.
Para o economista da Fecomércio-AC, William da Silva Pinto, o cenário exige atenção especial dos empresários na preparação para as vendas de fim de ano.
“Os resultados mostram que as famílias de Rio Branco estão mais confiantes em relação ao emprego e à renda, fatores importantes para sustentar o consumo. Entretanto, essa melhora não significa necessariamente aumento imediato das vendas”, afirmou.
O economista acrescentou que as condições de crédito, os preços, as formas de pagamento e a administração dos estoques devem continuar no planejamento das empresas.
A diferença entre o comportamento das faixas de renda também merece atenção do comércio. Enquanto o grupo de até dez salários mínimos apresentou melhora na intenção de consumo, as famílias com rendimentos superiores registraram pequena retração.
O levantamento não informa o volume de compras efetivamente realizado por cada grupo, nem permite estabelecer quanto cada faixa de renda movimentou no comércio local.
A Fecomércio-AC destaca que o ICF é um indicador de percepção das famílias, e não de faturamento do varejo. Para avaliar o desempenho efetivo das vendas, a entidade recomenda acompanhar também a Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além dos indicadores de emprego e crédito.
A pesquisa de outubro de 2026 registrou 120,4 pontos entre as famílias com renda de até dez salários mínimos e 140,1 pontos entre aquelas com rendimento superior a esse limite, conforme os dados da CNC analisados no Boletim Radar Econômico Acre.











