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Acre aparece entre os estados com menores emissões de gases de efeito estufa do Brasil, aponta levantamento do Observatório do Clima

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O Acre figura entre os estados brasileiros com menor volume de emissões de gases de efeito estufa (GEE), de acordo com dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), compilados pelo Observatório do Clima. No ranking nacional divulgado pela entidade, o estado aparece na faixa “D” — denominada de “Fugindo do rebaixamento” — distante dos maiores emissores do país.

A classificação considera o volume total de gases lançados na atmosfera por cada unidade da federação, independentemente da origem dessas emissões. No topo do ranking está o Pará, sozinho na categoria “Série A do carbono”, consolidando-se como o maior emissor brasileiro. Em seguida aparecem Mato Grosso e Minas Gerais, classificados na faixa “A”.

 

O Acre surge ao lado de estados como Tocantins, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí e Santa Catarina, todos posicionados na categoria intermediária inferior do levantamento. Embora o resultado coloque o estado em situação relativamente mais favorável em comparação com grandes emissores, os números reforçam que ainda há desafios importantes no enfrentamento das mudanças climáticas.

A posição acreana reflete características próprias da economia estadual. Diferentemente de regiões altamente industrializadas ou com grande concentração de atividades energéticas intensivas em carbono, as emissões no Acre estão fortemente associadas às mudanças no uso da terra, ao desmatamento e às atividades agropecuárias.

Os dados do SEEG demonstram que, no Brasil, a principal fonte de emissões continua sendo a conversão de florestas para outros usos, especialmente na Amazônia Legal. Estados como Pará, Mato Grosso, Rondônia e Maranhão aparecem nas primeiras posições justamente por concentrarem elevados índices históricos de desmatamento associados à expansão agropecuária.

No caso do Acre, apesar de apresentar taxas de desmatamento inferiores às registradas em outros estados amazônicos, o avanço da fronteira agropecuária continua sendo um fator de pressão ambiental. Nos últimos anos, o estado tem buscado equilibrar o crescimento econômico com políticas de conservação florestal, apostando em iniciativas de bioeconomia e manejo sustentável dos recursos naturais.

A análise também revela um contraste importante dentro da própria Amazônia. Enquanto o Pará ocupa a liderança nacional nas emissões totais, o Amazonas aparece apenas na categoria “C”, evidenciando que a simples presença de grandes áreas florestais não determina, por si só, o volume de gases emitidos. O padrão de ocupação do território e as atividades econômicas predominantes exercem papel decisivo nesse cenário.

Segundo o Observatório do Clima, compreender as diferentes origens das emissões é fundamental para a formulação de políticas públicas eficazes. Em alguns estados, o principal desafio está na redução do desmatamento; em outros, na descarbonização da matriz energética, no controle das emissões industriais ou na gestão adequada dos resíduos sólidos.

Embora esteja distante dos maiores emissores nacionais, o Acre permanece vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas. Nos últimos anos, o estado enfrentou eventos extremos cada vez mais frequentes, como secas severas, enchentes históricas e ondas de calor, fenômenos diretamente relacionados ao aquecimento global.

Os dados reforçam que a posição relativamente favorável do Acre no ranking não deve ser interpretada como ausência de responsabilidade ambiental. Especialistas alertam que a manutenção das florestas em pé e a adoção de modelos produtivos de baixa emissão serão decisivos para que o estado continue contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas.

Produzido pelo Observatório do Clima, o SEEG é a mais abrangente plataforma de monitoramento das emissões brasileiras. A ferramenta reúne estimativas anuais por estado, setor econômico e série histórica, permitindo acompanhar a evolução das emissões desde a década de 1970 e subsidiando estratégias de enfrentamento à emergência climática.

No cenário nacional, o levantamento mostra que a luta contra o aquecimento global exige respostas diferenciadas para cada realidade regional. E, no caso do Acre, o desafio passa pela preservação de seu maior patrimônio: a floresta amazônica.

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