Gabriel Rasteli
Gabriel Rasteli escreve sobre a síndrome do protagonismo e a busca incessante pela relevância

SÍNDROME DO PROTAGONISTA: A BUSCA PELA RELEVÂNCIA
Temos a tendência de repetir os comportamentos daqueles com quem convivemos. Quanto mais tempo passamos na presença de alguém, temos uma propensão de compartilharmos os nossos trejeitos, manias e gostos ao mesmo tempo em que os estamos absorvendo. É uma troca mútua.
No entanto, o que anteriormente era quase que exclusivamente de forma pessoal, o famoso tête-à-tête – expressão francesa que indica uma conversa em particular – teve uma atualização.
Assim como os apps que usamos em nossos celulares e notebooks, os nossos comportamentos também passam por um F5. E assim, atualizamos o nosso modo de nos relacionarmos, criamos o relacionamento digital.
E como tudo na vida se aprende, ainda estamos aprendendo como devemos nos comportar digitalmente. É tudo novo. Porém, assim como “no mundo real”, o digital também nos traz consequências reais.
Vivemos na era da informação. Aquilo que acontece do outro lado do mundo está, dentro de alguns instantes, bem debaixo dos nossos olhos através dos nossos celulares.
Recebemos e propagamos informações a todo momento. Cada vez mais o volume de conteúdos que consumimos vem crescendo, bem como a velocidade com que nos relacionamos com eles.
E de uma hora para outra assumimos também o papel de sermos os produtores de conteúdo. Se antigamente nos cabia apenas o ofício de telespectador, hoje fomos inseridos nas telas.
A necessidade do consumo gerou um aumento na produção de conteúdo. E agora, todos produzimos. Porém, não nos contentamos em apenas postar um story, ou alimentar o nosso feed. Queremos likes, buscamos a relevância.
O que era para ser compartilhado tornou-se uma busca por ser apreciado. E isso influencia nosso comportamento no âmbito. Pois, se apenas queremos o protagonismo, começamos a publicar e paramos de compartilhar, ou seja, não há mais uma relação mútua.
Da mesma forma que passar a nos trazer problemas nas relações interpessoais. Porque deixamos de lado o interesse pelo outro, isto é, deixamos de ouvir, ao ponto que não estamos em um diálogo, uma conversa, mas sim em um monólogo.
Às vezes são dois monólogos acontecendo simultaneamente, onde duas pessoas falam e falam e ninguém se ouve.
Desenvolvemos uma síndrome de protagonismo. Queremos em todo tempo nos apresentar para o público no palco de nossas vidas, mas, se todos estão se apresentando, não há espaço para plateia.
É saudável que possamos ouvir e falar. Claro que temos o nosso tempo como protagonista, mas também precisamos do nosso período de anonimato.
Assim como Peter Parker quer ter uma vida normal, curtindo seus amigos e sua namorada Mary Jane, não sendo o Homem Aranha o tempo todo, precisamos de equilíbrio.












