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Valterlucio Campelo

Na coluna desta terça, Valterlucio analisa: “Próximo da aposentadoria, Jorge Viana não aprendeu nada”

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Valterlucio Bessa Campelo

Nesta terça-feira tive o desprazer de assistir a uma entrevista do candidato petista ao senado, derrotado por larga margem de votos (ficou em quarto lugar), Jorge Viana, ao entrevistador Astério Moreira que sempre que o faz, dá uma de levantador no vôlei. Ao cortador Jorge Viana resta a cortada que, hoje, foi para fora da quadra.

O desprazer foi o de ver mal disfarçados ódio e ressentimento. Jorge Viana destila ódio aos adversários, especialmente ao senado eleito com quase o dobro de seus votos, Marcio Bittar, que ele chama de extremista, macaqueando setores da imprensa e das universidades, e ressentimento contra os eleitores a quem chamou de mal-agradecidos. Sem se incomodar de responder a algum processo judicial, chamou Flávio Bolsonaro de miliciano e vinculado ao Comando Vermelho e Pablo Marçal de golpista contra velhinha em Goiás. O homem estava espumando, apesar de aqui, acolá, se esforçar para abaixar o tom.

Jorge Viana decepciona sempre que sai do script do bom mocismo e do “eu fiz”. Seu conhecimento histórico e filosófico é tão raso quanto um pires e, quando se aventura pelo caminho da religião, vira tábua. Seus íntimos deveriam lhe aconselhar a não ir além das sandálias.

Não, Jorge Viana, a reforma protestante não foi um “movimento lindo”, não foi uma “reforma contra a riqueza da igreja. Como gostam de dizer seus “pareceiros”, vá estudar ou não se meta no que não conhece. Não bastou blasfemar contra Cristo ao chamá-lo de comunista? O que Lutero promoveu, com êxito, reconheçamos, foi uma revolução que rompeu com 1500 anos de história da igreja. 

A versão de que o luteranismo foi uma reação à corrupção e abusos da Igreja “decadente” serve para ninar crianças e atrair incautos, embora eles (os abusos) existissem. Ele veio para mudar a doutrina, para superar dogmas. Sabe quem disse em 1511 (seis anos antes das 95 Teses) “Devemos eliminar a distinção entre laicato e sacerdócio, já que todos os cristãos são sacerdotes desde o batismo; O magistério supremo do Pontífice Romano, já que não deve haver outra norma de fé que a Bíblia, interpretada por cada fiel; o direito do papa de convocar os concílios, já que isto é competência dos príncipes seculares e do povo cristão”? Sim, Martinho Lutero, em “A nobreza cristã da nação alemã”. As 95 teses não foram um ímpeto reformador.

Em 1720, ele mesmo escreveu “Lancei-me com veemência contra as doutrinas ímpias e ataquei energicamente os meus aniversários, não por causa de seus maus costumes, mas por causa de sua impiedade”. Em suas “Conversas à mesa”, o mesmo Lutero escreveu “Mesmo que ainda hoje florescessem-no Papado aquela religião e disciplina de outrora; mesmo que nada mais houvesse em vossa vida senão santidade e castidade, ainda assim deveríamos combater as instituições do reino papal. (…) Se nada mais possuísseis além de santidade e castidade de vida, ainda assim seria preciso expulsar-vos do reino dos céus e condenar-vos”. Fico por aqui, Jorge Viana, você não está preparado para esta conversa.

A outra tolice monumental de Jorge foi comparar o bolsonarismo com nazismo, fascismo, franquismo, coisas de que ouviu falar, porém seguramente não leu um livro sequer, do contrário seria mais contido. Sabe a natureza do partido dos trabalhadores alemães que Hitler dominou? Sabe de onde saiu Mussolini? Sabe o contexto histórico de cada uma dessas experiências medonhas? Sabe nada. Transportar com ar de sabichão os anos 30 e 40 na Europa para 2026 é de uma ignorância brutal. Quer fazer medo aos acreanos, se fantasie de Mapinguari, quem sabe…

Outra tolice gigantesca que Jorge Viana disse, além dos insultos aos quais deverá responder judicialmente, foi que Flávio Bolsonaro eleito fará nomeações de militares hoje presos para o alto comando militar e das forças armadas e que cortará o bolsa família em dois anos, que vai entregar o Brasil para uzamericanu etc., etc.

Custa crer que a derrota fragorosa que teve do povo acreano tenha transformado o Jorge Viana em soldado do general Janones, aquele rachadinha confesso que saiu às pressas com arritmia cardíaca não explicada do debate na Band. Já vi Jorge em outro nível. Se subordinar ao papel de espalhador de fakenews, convenhamos, é humilhante.

Não há qualquer aceno, ou sequer possibilidade de que Flávio Bolsonaro, cercado por Rogério Marinho, Daniela Marques, Sacshida, Zema, Caiado, Van Hattem e tantos outros, incline-se, como fez erroneamente seu pai, à nomeação de militares no seu governo. O único ministro anunciado até aqui foi o da Saúde, egresso do Albert Einstein. A questão do bolsa família só foi colocada para dizer que mesmo com carteira assinada, ela será preservada pelo trabalhador por dois anos. O servicinho que Janones lhe passou é muito ruim de ser feito, não cola.

Quanto às relações com o governo americano, elas serão recompostas, pois foram jogadas de lado pelo anão diplomático Lula da Silva em seu afã de ladear-se com os ditadores de plantão, de Maduro a Putin. Os EUA são a maior economia e potência bélica e tecnológica do mundo. Virar-lhes as costas é uma burrice somente comemorada por quem sofre do antiamericanismo agudo do século passado. A APEX não lhe ensinou nada, Jorge?

Sem conhecer o básico de macroeconomia, Jorge caiu no discurso vagabundo de que a taxa de juros é obra do Galípolo “que traiu” Lula. Fala sério. Se esse governo malfadado tivesse o mínimo de credibilidade, se não fosse perdulário e corrupto como é, a taxa de juros cairia com facilidade. Aliás, é o que vai acontecer antes da posse, só com o anúncio da vitória de Flávio no próximo domingo.

Não Jorge, a eleição passou, você perdeu feio, não engana mais ninguém com essa tentativa malograda de fazer-se equilibrado, centrista, sereno. Vi na entrevista de hoje, dia 20/10/2026, um Jorge fantasma de si mesmo, quase descrente da derrota que sofreu, amargurado com um fim de carreira que se aproxima a galope, tonto com a democracia que nem sempre atende a seus truques marqueteiros.

Outro dia, em um debate no site ac24horas, reconheci a grandeza de homem público acreano de Jorge Viana por liderar um projeto equivocado, mas de qualquer modo um projeto. Depois de hoje, preciso acrescentar que, fora disso, a cru, é um petista comum, vulgar, submerso em contradições históricas empunhando uma bandeira fracassada.

Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor  PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP

 

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